Por meio de oficinas de arte oferecidas a crianças e adolescentes atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps-i), o educador artístico Antônio Marcos Feitosa, o Dovinho, apresenta “Máscaras dos Invisíveis – Um olhar e um pedido de socorro de uma sociedade invisível e esquecida”, exposição que abriu no dia 3 de maio, no Sesc Cadeião, em Londrina, fica em cartaz até 3 de junho.

“As obras expostas foram desenvolvidas em grupos no Caps Infantil, envolvendo várias mãos e olhares, representando assim fragmentos dos sentimentos vivenciados no seu cotidiano e trazem à tona uma reflexão das emoções intrínseca nas obras”, explica.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps-i) foram criados em 1992, com o objetivo de oferecer atendimento para a reinserção de pessoa com problemas psíquicos na sociedade. Fruto do movimento pelo fim das internações compulsórias, os Caps têm como ferramentas atendimentos com grupos terapêuticos, acompanhamento psiquiátricos e um trabalho multidisciplinar que inclui assistente social, enfermeiro, psicólogo, psiquiatra, psicopedagogo, fonoaudiólogo, entre outros profissionais e oficinas artísticas como essa – que resultam em exposições. Conheça um pouco mais desse artista e educador.

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?

Gostava muito de brincar na hora do intervalo. Principalmente de ficar na biblioteca.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

Eu estudava no colégio José de Anchieta, me lembro de passar muito tempo na biblioteca que era improvisada em uma sala de aula. Quem cuidava era o Professor Oswaldo de Estudos Sociais (acho que esse era o nome dele) e toda semana fazíamos um desenho no quadro negro, uma semana eu desenhava e na outra era ele, o desenho ficava exposto a semana inteira. Passava praticamente o intervalo inteiro na biblioteca.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?

Gostava muito das aulas de História e também tinha uma matéria que eu gostava muito que era chamada Técnicas Industriais. Aprendi o ponto macramê com sisal e não esqueci até os dias de hoje, é algo que ensino nas minhas oficinas no CAPS-i. Detestava as aulas de Química e de Educação Artística. Odiava aqueles desenhos em papel mimeografado.

O que você gostava de comer na hora do recreio?

Eu não comia nada, pois o dinheiro que meu pai me dava eu juntava para comprar revistas em quadrinhos. Eu era viciado em HQ, tenho algumas coleções ainda hoje. Devido a essa paixão, me tornei ilustrador e artista plástico.

Quando criança, imaginava que teria essa profissão?

Sim, decidi ser desenhista, mas depois de um tempo desanimei na minha adolescência, pois eu achava que ganhar dinheiro desenhando era muito bom para ser verdade, retornei o meu sonho após os 20 anos.

Arteiro desde menino, Dovinho ajuda a resgatar, por meio da arte, a autoestima dos outros
Arteiro desde menino, Dovinho ajuda a resgatar, por meio da arte, a autoestima dos outros | Foto: Ricardo Chicarelli/ Arquivo Folha

Quem eram seus ídolos nessa época?

Os grandes desenhistas cartunistas, como Maurício de Souza, Glauco Matoso, Angeli, Laerte, Sergio Aragonés, Ota, Henfil, Uderzo e Goscinny. Na música, tenho Geraldo Vandré e Belchior que aprendi a escutar desde criança por influências dos meus irmãos.

Sempre quis ser artista plástico?

Eu sou o oitavo filho, o caçula. Cresci ouvindo muita música boa, pois aprendi com os meus irmãos. Desde criança tenho como ídolo até hoje, Geraldo Vandré e Belchior, gostava de desenhar, desenhava todos os dias e isso começou aos nove anos de idade, mas me descobri como artista na fase adulta.

Fale dos prêmios que já recebeu e exposições especiais.

Durante o período escolar ganhava todos os concursos de desenho e quadrinhos que a escola realizava, já como profissional, não ganhei nenhum prêmio, mas depois de tantas tentativas consegui ter um trabalho aprovado, no ano passado, para participar do Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

Você se reconhece nas crianças? De que maneira isso se dá?

Muito, eu trabalho no CAPS-i, e às vezes vejo muito de mim neles, eu era muito tímido e medroso, e venci a timidez e o medo me colocando em situações para me confrontar. Não me esqueço de que fui criança e adolescente, pois isso ajuda a entender e criar vínculos com as crianças e adolescentes que atendo em minhas oficinas. Consigo, de certa forma, entender alguns sofrimentos deles.

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