Ao circular pelos corredores da 3ª edição do Londrina Mais, a Folha Cidadania teve a oportunidade de rever professores, coordenadores e projetos educacionais que já ocuparam as páginas do caderno que tem publicação semanal, graças à relevância e comprometimento de alunos e educadores. O evento foi realizado nos dias 22, 23, 24 de agosto no Parque de Exposições Governador Ney Braga. A iniciativa e organização foram de responsabilidade da Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SME), e o tema principal foi a Sustentabilidade.

Alunos do Centro Municipal de Educação Infantil - Cmei Francisco Seixas – participaram com muita empolgação da Campanha 'Eu Ajudo na Lata', da Unimed
Alunos do Centro Municipal de Educação Infantil - Cmei Francisco Seixas – participaram com muita empolgação da Campanha 'Eu Ajudo na Lata', da Unimed | Foto: Walkiria Vieira

Com entrada gratuita e mais de 150 estandes expondo e permitindo interação, as visitas de escolas e da comunidade fizeram com que os três dias de ações resultassem em grandes momentos. O público participou de oficinas e atividades interativas em diversas áreas de conhecimento, como Matemática, Arte, Inglês, Educação Física, Informática, Robótica entre outros. Os mais de 4 mil professores da rede também tiveram a oportunidade de participar de palestras temáticas e um exemplo foi a palestra "Novo FUNDEB e as perspectivas para o funcionamento da Educação Básica no Brasil" com o coordenador do Todos Pela Educação, Caio Callegari, que atraiu gestores e outros profissionais da educação de 23 cidades. Com o objetivo de formar professores, divulgar os trabalhos que as escolas e centros infantis têm realizado com os alunos e promover o envolvimento da comunidade, a atividade cumpriu o seu propósito.

Confira alguns projetos Londrina Mais 2019

Cidadania 'na lata'

A expressão “na lata” pode ser usada em diferentes contextos e no caso da campanha “Eu ajudo na lata”, está associada aos lacres oriundos de latas e que são arrecadados pelas escolas para ajudar na compra de cadeiras de rodas a quem não pode comprar. A proposta da Campanha “Eu Ajudo na Lata” da Unimed está em sua 7ª edição e o objetivo é arrecadar lacres de latas de alumínio e, com o valor revertido com a venda do metal, efetuar a compra de cadeiras de rodas ou outro item de acessibilidade. A campanha já arrecadou mais de nove mil quilos de alumínio e entregou 108 (cento e oito) cadeiras de rodas durante suas edições anteriores, contribuindo, dessa maneira, com mais de 30 instituições de Londrina e região. Durante visita ao Londrina Mais, alunos do Centro Municipal de Educação Infantil - Cmei Francisco Seixas, localizado no conjunto União da Vitória, região Sul - fizeram questão de levar os lacres que estavam na escola. Movidos por muita empolgação, fizeram uma verdadeira festa no espaço. De acordo com a coordenadora da unidade, Vanessa Calandro, os alunos são solidários e aprendem desde cedo na escola que a colaboração é essencial.

Alunos do Centro Municipal de Educação Infantil - Cmei Francisco Seixas – participaram com muita empolgação da Campanha 'Eu Ajudo na Lata', da Unimed
Alunos do Centro Municipal de Educação Infantil - Cmei Francisco Seixas – participaram com muita empolgação da Campanha 'Eu Ajudo na Lata', da Unimed | Foto: Walkiria Vieira

A arrecadação dos anéis de latas de alumínio ocorrerá até o final de agosto. Este ano, a campanha beneficiará seis instituições, sendo duas de Ibiporã - a Escola João XXIII (Apae) e a Unidade Pronto Atendimento Dr. Justino Alves Pereira (UPA – 24h), além Secretaria Municipal de Saúde de Tamarana, a Associação Flávia Cristina e Cáritas Arquidiocesana, ambas de Londrina, e a Unidade Básica de Saúde Maria Cristina Tavian, de Porecatu. Essas instituições participaram de uma política pública de participação, na condição de beneficiada. Além das seis entidades, as secretarias de Educação dos municípios de Ibiporã, Londrina e Porecatu receberão uma cadeira de rodas cada pela importante contribuição na campanha. “Todas as instituições ganharão pelo menos uma cadeira de rodas. Mas a quantidade de equipamentos será definida pelo número de votos obtidos por meio de uma enquete que será disponibilizada no site da Unimed Londrina - www.unimedlondrina.com.br - no mesmo mês, podendo a pessoa votar quantas vezes quiser. A entrega das cadeiras está prevista para setembro.

Brinquedo artesanal

Matheus Sasaki, 7 anos,conheceu no Londrina Mais o que é um 'pé de lata' e se divertiu
Matheus Sasaki, 7 anos,conheceu no Londrina Mais o que é um 'pé de lata' e se divertiu | Foto: Walkiria Vieira

A Escola Municipal Joaquim Pereira Mendes, localizada no jardim Colina Verde, região oeste de Londrina, levou para a a feira de educação o projeto Pé de Lata. Com latas de leite ou achocolatado reutilizadas, o brinquedo virou um dos atrativos do evento. No mesmo brinquedo, a simplicidade e a criatividade cativaram ou até os adultos. A autônomo Márcia Kamizi, fez questão de prestigiar o encontro de educadores, ao lado de seu neto Matheus Sasaki, sete anos, que frequenta a Arthur Thomas, no centro de Londrina. “Esses brinquedos são geniais. Fazem parte de outras gerações e o estímulo ao fazer e brincar promovem a interdisciplinaridade, pois até aspectos históricos e comportamentais estão presentes em algo feito com tanto carinho e planejamento”, disse.

Escola acolhe o nordeste

Escola Municipal Noêmia Alaver Garcia Malanga homenageou a cultura de vários estados no projeto 'Malanga do Nordeste”
Escola Municipal Noêmia Alaver Garcia Malanga homenageou a cultura de vários estados no projeto 'Malanga do Nordeste” | Foto: Walkiria Vieira

A Escola Municipal Noêmia Alaver Garcia Malanga, situada na região oeste, conta com alunos do P5 ao 5º ano do Ensino Fundamental e levou ao Londrina Mais o trabalho “Malanga pelo Nordeste”. De acordo com a coordenadora pedagógica Silvane Abreu, esse foi o tema proposto durante as festas "julinas" e entre as práticas, houve a culminância de atividades artísticas e culturais. Matriculados nas aulas do Educação de Jovens e Adultos (EJA) produziram xilogravuras com literatura de cordel. “São alunos dos 16 aos 70 anos de idade e foi uma grande oportunidade”, diz a coordenadora. Em todos os trabalhos, os nove estados do Nordeste forma representados. Por meio do estudo das bandeiras, conheceram um pouco mais da história e da geografia de cada estado, a arte também foi exaltada. “Luiz Gonzaga é um verdadeiro ídolo da cultura nordestina e a canção “Asa Branca” é como um hino. Estudaram a letra, seu significado e as relações que a canção faz com vida e luta do povo nordestino. Assim, lá estão os cactos, verdadeiros símbolos da resistência e riquezas de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O boi-bumbá ou bumba meu boi, não ficou de fora e foi todo produzido a partir de materiais recicláveis e deixou sua marca no espaço. Os estudantes fizeram também uma releitura do artista Van Gogh, como forma de prestigiar sua obra e valorizar o nordeste. E estamos nos preparando especialmente para o desfile de 7 de Setembro e faremos uma apresentação surpreendente”, convida.

Um prova de empreendedorismo

Alunos da Escola Municipal Anita Garibaldi levaram sabão caseiro para a feira
Alunos da Escola Municipal Anita Garibaldi levaram sabão caseiro para a feira | Foto: Walkiria Vieira

No meio de tantas tarefas e conteúdos para dar conta, alunos do 4º ano da Escola Municipal Anita Garibaldi, no Jardim Espanha, toparam um desafio e foram além da proposta. Produto de reciclagem, levaram para feira sabão caseiro e atuaram em todo o processo. “Na coleta de óleo, nas caixinhas que serviram de forma, na embalagem e na hora de vender aqui no evento”, conta a supervisora Luciana Diman. Ao todo, 58 alunos se uniram, o objetivo é juntar um dinheirinho para a formatura da turma. O tanquinho usado para fazer a mistura, a embalagem de retalhos de persianas vertical e o voil são todos frutos de materiais descartados e reutilizados pela turma. “Só não fizeram o sabão por uma questão de segurança, mas os alunos de dedicam e abraçam as ideias com dedicação e entregam resultados incríveis”, diz Diman.

A reciclagem vai até o campo

Professora  Fátima Carvalho Bernardo, do Eja: reciclagem para quem mora no campo e na cidade
Professora Fátima Carvalho Bernardo, do Eja: reciclagem para quem mora no campo e na cidade | Foto: Walkiria Vieira

Além dos diversos produtos feitos a partir da reciclagem e apresentados no Londrina Mais, os professores provocaram seus alunos a pensar, refletir e amar o espaço em que vivem. Um exemplo foi a proposta de um adorno da educadora Fátima Carvalho Bernardo. O trabalho foi desenvolvido com educandos do EJA da Escola Municipal Irene Aparecida da Silva, no período noturno e a ideia era que olhassem para onde moram – a área rural - com mais valor. “Trabalhamos com a sustentabilidade com quem mora no meio urbano, usando CDs que não tinham mais aproveitamento e foram transformados em mandalas. Já os alunos que moram na área rural produziram lindos enfeites para a área externa ou interna usando gravetos de diversas espessuras e se encantaram com o que viram”, conta a educadora. Os pedaços de chita, as sobras de outras decorações serviram para provar que os estudantes renovarem o olhar em relação ao que está à própria volta. “É um novo olhar para a natureza, mesmo”.

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