A BNCC - BRASIL (2017) e o Referencial Curricular do Paraná- RPC (2018) tratam a alfabetização como uma especificidade, ou seja, a alfabetização como um processo de apropriação do sistema de escrita alfabética, das habilidades de oralidade, de leitura e de escrita.

O ensino da leitura, da escrita e da oralidade inicia-se com a apresentação das letras, depois das sílabas, das palavras, das frases e, por último, dos textos, com a visão de que não existe sentido no reconhecimento de textos, se a criança não dominar o alfabeto.

Desenvolver em crianças o gosto pela leitura é proporcionar uma série de oportunidades, possibilidades e descobertas. Por meio dos livros, as crianças podem aprimorar a imaginação, a criatividade, o conhecimento, as habilidades socioemocionais, por exemplo.

Na ausência de um bibliotecário nas escolas, os espaços onde estão os acervos de livros se chamam salas de leitura e o atendimento é feito pelas professoras e professores.

Na Escola Municipal Armando Rosário Castelo, no Distrito de Paiquerê, os 163 alunos do P5 ao 5º ano fazem bom proveito dos livros ofertados na sala de leitura da unidade. De acordo com a coordenadora pedagógica Monique Pucci de Oliveira, no espaço estão distribuídos, de forma convidativa, obras da literatura infantil e juvenil em um acervo que também aborda a diversidade. "Há também livros direcionados para os professores. São livros didáticos, de leitura e também planejamento.

A dinâmica funciona de modo organizado e os empréstimos são realizados uma vez por semana e contam com o apoio de uma professora que faz o controle das retiradas, organiza por faixa etária e na entrega do livro faz aborgadem com o aluno sobre principais observações. "O que mais gostou, por que e o que assimilou. A coordenadora afirma por que a busca por literatura está integrada à rotina e os estudantes se sentem motivados em retirar títulos, levar para casa para compartilhar com familaires, assim como são estimulados a fazer a devolutiva.

É na sala de leitura também que os estudantes exercitam a oralidade por meio da leitura coletiva em voz alta e com o apoio de um microfone. "Um dos objetivos, além de incentivar a leitura é que ela seja aprimorada e permita que a criança desenvolva a fala em público, a criatividade e o repertório cultural. Oliveira destaca que todos esses aspectos contribuem para a formação de vocabulário e a produção textual. "Vale destacar que a atividade promove reflexos no desenvolvimento pessoal, gera o sentimento de produtividade e amadurecimento", ratifica.

LEITURA DINÂMICA

Na Escola Municipal Aristeu dos Santos Ribas, localizada no Conjunto Habitacional João Paz, a utilização da sala de leitura torna os estudos dos 350 estudantes mais proveitoso e dinâmico. O acervo atual conta com 5.500 títulos organizados de modo a atender a demanda diária - tanto dos alunos da Educação Infantil como daqueles que já dominam a leitura e já somam dezenas de empréstimos - graças a um trabalho contínuo de professores, coordenadores, da direção escolar, bem como das famílias que se alegram diante dos livros levados da escola para a casa.

De acordo com a diretora da unidade, Márcia Cristina Vinagre Silva, a distinção da leitura é tão natural como o desenvolvimento escolar. "Na Educação Infantil as histórias são, na maioria das vezes, sobre fábulas, contos de fadas, lendas, poemas, folclore, muitos deles são livros que apresentam ou não escrita (verbal e não verbal), pois as crianças inventam suas histórias por meio das imagens apresentadas nos livros e isso permite a estimulação da imaginação e da criatividade das crianças", esclarece.

Já no caso dos alunos de 1° ao 5° ano, as preferências são bem variadas: "Livros de ação, aventura, ficção, HQs - histórias em quadrinhos, Revista Ciências Hoje, Fábulas, Contos, cultura indígena, literatura africana, livros sobre tradições brasileiras e cordel.

DIA DO BIBLIOTECÁRIO

Comemorado na última quarta-feira (12) em todo o território nacional, o Dia do Bibliotecário busca atrair a atenção do público para o importante trabalho desenvolvido pelos profissionais que atuam nas bibliotecas brasileiras. Em Londrina, a data foi celebrada pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), que realizou dois eventos abertos ao público,

O primeiro foi um bate-papo com o tema “Um banquete literário – Histórias de Clubes de Leitura”. Participaram as escritoras Cassia Sambatti, Jackie Rodrigues, Kelly Shimohiro e Maria Cristina Matias, que fazem parte do Clube de Leitura “Amigos de Palavra”.

Esta foi a primeira vez que este clube de leitura esteve na Biblioteca Pública Central, de acordo com a diretora de Bibliotecas da SMC, Leda Araújo. “Eles trazem ideias sobre como podemos formar esse tipo de clube em bibliotecas ou em outros espaços, sejam as atividades voltadas para adolescentes, adultos, com foco em mulheres, entre outros exemplos. As autoras também falam sobre o que escrevem e isso é produtivo".

O 'Amigos de Palavra' é um clube existente em Maringá e Londrina, inaugurado em 2015 pelas escritoras Dany Fran e Kelly Shimohiro. O intuito do clube é trocar ideias, compartilhar histórias e ampliar o conhecimento no mundo da literatura.

O segundo evento comemorativo foi a palestra “Biblioteca, Informação e Sociedade”, ministrada pelo Prof. Dr. Oswaldo Francisco de Almeida Junior trouxe à tona o importante papel do bibliotecário como peça fundamental na busca, recuperação, mediação, compartilhamento e disseminação da informação. Aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) abordou temas como Informação e Sociedade, Mediação da Informação, Serviço de Referência e Informação, Bibliotecas Públicas e Biblioteconomia.

“A população demanda muito de orientações e conteúdos, muitas vezes há a demanda real, mas também existe aquela em potencial, quando não há uma consciência exata por parte das pessoas. É o caso do projeto Literatura na Biblioteca, com leitura de livros pedidos no vestibular. Enquanto a gente não o desenvolvia ainda, poucos vinham até a Biblioteca procurar essa literatura, e depois com ele em execução temos muitos jovens ocupando o espaço e frequentando os grupos e palestras”, reflete Araújo.

Para Leda Araújo, o tema da palestra tem relevância, pois é necessário propor para a população eventos e atividades, fazendo com que as bibliotecas possam se tornar, cada vez mais, espaços amplos e culturais de referência. “É essencial atuar para que esses ambientes sejam pontos de encontro, de troca e partilha, de fruição literária e cultural, e também de produção na sociedade londrinense”, pontua.

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