CIDADANIA -

Arte que transcende

Alunos surdos apresentam seus trabalhos na 34ª Mostra Afro Brasileira Palmares de Londrina

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

No ano em que o ILES, Instituto Londrinense de Educação Para Surdos, completa 60 anos, o estabelecimento de ensino faz também sua estreia na 34ª Mostra Afro Brasileira Palmares de Londrina. Fundado pela presidente Rosalina Lopes Fransciscão, ainda na ativa, é considerado pioneiro na educação para surdos. Atualmente, 68 alunos da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio são atendidos na unidade que fica localizada na região leste de Londrina e sua principal característica é a especificidade na educação para alunos com surdez, perdas auditivas e implantados. 


A primeira língua do surdo é a de sinais, reconhecida por Libras - Língua Brasileira de Sinais. A segunda, a língua portuguesa. Bilíngues por necessidade, os surdos, assim como os alunos de escolas regulares têm aulas como matemática, história, geografia e ciências. A comunicação é predominantemente espacial e visual e as aulas de artes, por sua vez, oportunidades ímpares de expressão, como para todos. 




De acordo com a pedagoga e professora Rita de Cássia Gomes Matoso, era perceptível o potencial dos alunos. "Propus o desafio e com o apoio da professora de artes, Simone Dias Gonçalves Dória, fomos em frente e o resultado está aí, uma exposição para todos visitarem no Museu Histórico de Londrina", convida.  A professora enaltece o valor da arte na educação, bem como da interdisciplinaridade presente: "Por meio da arte, a pessoa pode expressar sentimentos, criatividade e até um comportamento que não consegue expor no cotidiano, observa. "São telas de diferentes tamanhos e os trabalhos foram iniciados em março, respeitando toda a grade curricular. São vários temas como os negros, paisagens, índios e a identidade surda", aponta Dória. 


Mãos que contam histórias

Um dos trabalhos produzidos coletivamente pelos alunos traz várias mãos em destaque, numa autorreferência à surdez. "Note que nem todas as mãos aparecem por completo. É como o surdo se sente tentando se expressar para a sociedade. Há várias mãos, de todas as cores e essa é uma demonstração de que os surdos estão inseridos em todas as culturas e a acessibilidade é insuficiente e o surdo não é fraco, mas tem que lutar muito", explicam os alunos João Vitor Guttozzo, 17 anos, que estuda no 3º ano do Ensino Médio e Gustavo Cardoso de Lima Oliveira, 14 anos, aluno do 9º ano do Fundamental 2.


A pintura individual de Guttozzo chama-se "Geração Africana." O jovem nasceu ouvinte e perdeu a audição aos dois meses por conta de antibióticos. "Ela representa o amor que uma mãe tem, que ela é a base, ela ensina que é preciso cuidar e pensar no futuro. Por isso também eu trago o verde, que transmite tranquilidade e o cuidado que devemos ter com a natureza e é também uma homenagem à minha mãe, Adriana, por todo o cuidado que tem com a nossa família". 


Os alunos João Vitor Guttozzo e Gustavo Cardoso de Lima Oliveira: atividade multidisciplinar deu origem à mostra do ILES
Os alunos João Vitor Guttozzo e Gustavo Cardoso de Lima Oliveira: atividade multidisciplinar deu origem à mostra do ILES | Divulgação


Já a de Gustavo Oliveira, chama-se "Africana."  "Dentro desse contexto, eu quis mostrar um pouco da cultura africana e sua simplicidade. A mulher com uma trouxa de roupa na cabeça é algo de quem leva uma vida simples. As cores quentes foram usadas para lembrar que na África faz bastante calor", destaca. De acordo com a pedagoga responsável pela equipe multidisciplinar, Elizangela Lucyana Pereira, o comprometimento de todos os professores é essencial para ações como essa que culminou com a integração de todos". 


Uma curiosidade: para os alunos do ILES, o artista plástico Agenor Evangelista, bastante conhecido em Londrina, é uma referência.



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