EDUCAÇÃO -

Alfabetização na pandemia

Professores, pais e alunos compartilham desafios, descobertas e conquistas na educação em aulas presenciais e remotas

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

 Indispensável para o domínio da leitura, da escrita e da interpretação, a alfabetização é base para a vida em vários aspectos sociais, pessoais e profissionais. Na teoria, a alfabetização, feita geralmente entre 6 e 7 anos, quer dizer o aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação e a apropriação do sistema de escrita. Desde que a pandemia provocada pelo Covid-19 exigiu distanciamento, as aulas online se transformaram na alternativa de ensino para todos os cursos, inclusive para os anos iniciais escolares. O processo de alfabetização, segundo pais e professores, impõe desafios e exige empenho das partes para serem superados. 

 

Professora Denise Fabiane Capobiando: "A  chave para ter um processo de ensino e aprendizagem na alfabetização, em tempos remotos está na interação do educador com a família"
Professora Denise Fabiane Capobiando: "A  chave para ter um processo de ensino e aprendizagem na alfabetização, em tempos remotos está na interação do educador com a família"
 


De acordo com a professora Denise Fabiane Caobianco da Escola Municipal Arthur Thomas, os desafios são inúmeros como a falta de vínculo afetivo,  uma vez que no sistema online o contato é  apenas por meio de vídeos chamada e áudios. "Falta também oportunidade para fazer mais explorações com objetos concretos e jogos também., diz  Caobianco explica que tais situações são um pouco minimizadas quando realiza-se  interação entre a turma por Meet. "Entretanto, devido ao horário, são poucas crianças que podem participar, pois seus familiares estão trabalhando, muitas ficam com os avós -  que em sua maioria tem dificuldades com o uso da tecnologia", relata.


Em uma sala de 26 alunos,  em média 9 crianças participam ao vivo. Segundo a  pedagoga pós-graduada em Psicopedagogia, em Educação Especial e em Gestão Pública, a metodologia também teve que ser mudada, e essa mudança acontece o tempo todo e, de acordo com a devolutiva dos pais. "Devido a idade, eles não têm autonomia para estudar sozinhos, então o direcionamento das atividades tem que ser de fácil entendimento para as famílias. Em algumas famílias, o contato é diário, em outras semanal, algumas a cada 10 dias e umas em menor quantidade só através da devolutivas de atividades impressas devido ao fato de a família não ter conectividade", conta. 


Com 17  anos de experiência, Caobianco, explica também que em fevereiro de 2021 foi feita uma avaliação diagnóstica individual em cada criança, (presencial ou online) para verificar  o nível de aprendizagem que cada criança se encontrava. A  partir desses dados, realizou o planejamento das atividades. "A  chave para ter um processo de ensino e aprendizagem na alfabetização, mais do que nunca, em tempos remotos está na interação do educador com a família". Ciente de que o melhor caminho é facilitar os processos para atingir resultados que são possíveis de acordo com o momento, e não exigir mais do que a criança pode, a professora entende que cada aluno tem uma realidade. "Nas devolutivas para as crianças, sempre mando áudios no privado deles, incentivando e valorizando cada atividade que eles me mandam. Mesmo distante fisicamente enfatizo o vínculo que temos, proponho atividades, materiais e jogos que ajudam no processo de alfabetização", pensa. 

 

Kelly Cristina Prado de Almeida Yassuda, mãe de Rafaela e de filhas gêmeas: "O trabalho de alfabetização é desafiador para todos"
Kelly Cristina Prado de Almeida Yassuda, mãe de Rafaela e de filhas gêmeas: "O trabalho de alfabetização é desafiador para todos" | Divulgação
 


Para a dona de casa  Kelly Cristina Prado de Almeida Yassuda, mãe da aluna Rafaela Saori de Almeida Yassuda 6 anos e também de gêmeas  de 2 anos e 8 meses, nem sempre é possível dar toda a atenção desejada  por conta das irmãs e às vezes até pela ansiedade e estresse que toda essa pandemia tem causado. A  impressão, segundo  Yassunda, é que a filha se sente desmotivada por falta da rotina presencial e a maior dificuldade é manter a atenção e concentração, pois em casa as distrações são enormes. "Mas  montamos para ela um espaço arejado, com mesa, cadeira, computador, iluminação, para  as aulas, o mais confortável possível."  Kelly Yasssuda  considera que a criatividade dos professores contribui para tornar as aulas mais atrativas. "Sabemos que além de professoras, são donas de casa, esposas, mães de filhos pequenos ou que também estão em aulas online e tiveram que se reinventar, aprender a produzir conteúdo de forma digital, fazer vídeos, editar, tornar atrativo para os alunos e manter o aprendizado - mesmo de forma remota. Aqui em casa o fato da Rafaela estar na fase de alfabetização faz esse trabalho ainda mais desafiador para todos nós", reconhece. 


O dom da Pedagogia 

 

Professora Fernanda Vaz Dantas e Silva: "Tivemos que nos reinventar, passando por adaptações no manejo do ensino/aprendizagem"
Professora Fernanda Vaz Dantas e Silva: "Tivemos que nos reinventar, passando por adaptações no manejo do ensino/aprendizagem" | Divulgação
 


A professora  Fernanda Vaz Dantas e Silva leciona na Escola Municipal Haydee Colli Monteiro. Graduada em Pedagogia e pós- graduada em Alfabetização e Letramento; Neuropedagogia; Psicopedagogia com Ênfase em Educação Especial, atua na Rede Municipal de Londrina desde 2013. Silva  recorda que em 2020 atendia  turmas do 1º ano e  acompanhar as turmas em 2021 foi benéfico para dar continuidade à aprendizagem.


De seu ponto de vista, a  Secretaria Municipal de Londrina (SME) tem papel importante no momento  ao auxiliar os professores em suas  práticas pedagógicas que antes eram executadas em sala. "Tivemos que nos reinventar,  passando por adaptações no manejo de ensino aprendizagem e interação com os alunos e seus familiares por meio das aulas online. "Foram ofertados pela SME, palestras online, cursos de formação continuada, orientações no portal da PML – Educação em tempos de Covid-19.

 

Professores reconhecem que nas aulas presenciais há mais vínculos propiciados por tarefas em grupos e jogos, por exemplo
Professores reconhecem que nas aulas presenciais há mais vínculos propiciados por tarefas em grupos e jogos, por exemplo | Divulgação
 


A professora considera que a alfabetização online é totalmente diferente. "Nas aulas presenciais existe a aproximação de pegar na mãozinha e ensinar o traçado das letras, o olho no olho, a partilha entre os amigos da descoberta de uma nova palavra, o apoio que um colega dá ao outro, tudo isso colabora para o ambiente alfabetizador". E ela agradece aos pais pelo apoio e persistência: "Mantenho boa comunicação com as famílias tendo em mente que cada uma delas possui necessidades diferentes. Muitos pais trabalham durante o período de aula, mas temos  nos comunicando por meio do WhatsApp com mensagens de texto, chamadas de voz ou vídeo. 

 

Meire Xavier Machado, professora e mãe: "Nos ajustamos a essas tarefas diárias para João Miguel ter uma rotina em casa a que não estava acostumado"
Meire Xavier Machado, professora e mãe: "Nos ajustamos a essas tarefas diárias para João Miguel ter uma rotina em casa a que não estava acostumado" | Divulgação
 


A professora Meire Xavier Machado é mãe do aluno João Miguel Xavier Benite Machado e mais dois filhos.  "A falta do professor presencial é evidente para ele, a rotina da escola e os amigos também. Nos ajustamos a esse tempo da aula nas tarefas diárias  para o João Miguel ter uma rotina em casa a que não estava acostumado.


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