A missão de Missae
A professora Missae Nakayama orgulha-se dos 50 anos dedicados à educação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de outubro de 2019
A professora Missae Nakayama orgulha-se dos 50 anos dedicados à educação
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
Falar sobre os 50 anos em sala de aula é uma alegria para a professora Missae Nakayma. Mesmo aposentada, não é raro o encontro com ex-alunos de várias gerações. "Oi, Professora!", vem dos ex-aprendizes e seus familiares, como gesto de saudação - no mercado, nas calçadas e eventos na cidade. O reconhecimento à atividade vai além da sala de aula e os adornos delicadamente distribuídos pela casa, todos têm significado. As corujas, sinônimo de sabedoria, estão em vários formatos e são todos presentes dos alunos que queriam serem lembrados pela professora. E são. Lembrados e guardados no coração.
Missae escolheu ser professora por amor. Sempre incentivou e valorizou o potencial de cada estudante. Cartas e fotografias também conservam históricas de pessoas que são parte da trajetória de Missae. Casada há 47 anos com Hideo Nakayma, equilibra a rotina com atividades físicas, trabalho voluntário e o amor dos filhos Juliana, que é advogada, Gustavo, fisioterapeuta e Henrique, contador. Os netos Akemi e Saulo, completam o quadro harmonioso. "Sou muito realizada".
Como era a sua escola?
Era rústica e os professores muito dedicados. Inspiraram-me. Sentávamos em dupla e, no meio da carteira, havia um espaço para colocarmos a caneta tinteiro. Comecei a usar no 3º ano e um dia derrubei a tinta toda no guarda-pó branquinho. Minha mãe disse que precisava ser mais cuidadosa e conseguiu deixar novinho.
Do que mais sente saudade?
Dos amigos e dos professores. Construímos amizades e em 2017 fizemos um encontro reunindo os amigos. Foi lá em Lobato, onde estudei pela primeira vez e por um mês conseguimos organizar o encontro e nos mobilizar graças ao facebook. De Rondônia, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Alagoas, São Paulo e Paraná, partiram os amigos. Foi muito especial e fizemos até uma camiseta.

Como era a hora do lanche?
Nosso recreio era muito divertido. Meninos e meninas pulavam corda, jogavam futebol e trocávamos lanche. Minha mãe fazia tudo no capricho - com arroz, feijão e omelete. Era um almoço completo e com frutas. Nessa época, a escola não dava lanche e não havia cantina. Eu morava na cidade e as amigas traziam frango do sítio.
Foi uma aluna participativa?
Sim, bastante. Com 12 anos, fui trabalhar. Vendia verduras. O verdadeiro objetivo dos meus pais era ensinar o valor do trabalho e a se relacionar com os outros. Fui Rainha dos Estudantes e fiquei incumbida de ajudar a promover a festa de formatura. Fui de sítio em sítio para arrecadar prendas. Doavam leitãozinho, frango e vinha a cidade inteira para a festa.
Qual era a disciplina que mais gostava?
Matemática. Sabia a tabuada de cor e minha mãe ensinava dentro da lógica e os professores traziam o concreto, nada subjetivo.
Como era o material da escola?
Simples, mas bem cuidado. Lembro-me da minha mãe organizando tudo e de noite deixava tudo pronto para o dia seguinte. Conferia os lápis apontados e se a borracha estava no estojo. Em cada série, o caderno era de uma cor.
Tinha dificuldades em alguma disciplina?
Sim, História. Eu chorava para ir à escola e minha mãe teve a grande ideia de me arranjar uma professora particular. Eu não queria fazer tarefa e a professora Maria Aparecida fez diferença na minha vida.


