A arte de ensinar e de aprender

Rotina dos mestres e mestras é de ensino e aprendizado; muitas vezes eles também são a única referência de afeto para alunos sem muita atenção da família

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

Pegar na mão do aluno e auxiliar na produção das primeiras letras é parte do processo de alfabetização. O profissionalismo, a afetividade e o desejo de ver o êxito movem os educadores. Seja na alfabetização, seja na orientação de uma dissertação de doutorado, o professor possui papel ímpar em todas as etapas do processo.


 

Luciana Cogo: "Trabalhar com as crianças é a realização de um sonho"
Luciana Cogo: "Trabalhar com as crianças é a realização de um sonho" | Walkiria Vieira
 


A professora Luciana Cogo atua na rede municipal de ensino há 18 anos e se sente realizada. "Desde a infância eu sonhava em ser professora e me sinto  realizada, pois o sonho de criança se concretizou e me tornei professora", declara.  Cogo considera a capacidade de transmitir o que sabe um privilégio e um dom de Deus. "Ao passar o conhecimento aos meus alunos, me sinto realizada em fazer parte do processo da alfabetização, sabendo que marcará a vida deles para sempre", reflete. 



Docente das séries iniciais, idade de seis a dez anos, Cogo relata que cursou  Magistério no IEEL, depois a faculdade Normal Superior no Instituto de Educação Mãe de Deus, também tem pós na área da Educação Especial pela UNOPAR, Psicopedagogia Clínica e Institucional, e AEE - Atendimento Educacional Especializado ofertado pela Secretaria de Educação de Londrina.


Para quem pensa em ser professor, avalia: "Eu diria que é uma escolha brilhante, pois trabalhar com as crianças é a realização de um sonho. Pois entendemos que o trabalho na área da Educação depende do comprometimento da pessoa".  Acerca do suporte para trabalhar e ensinar, considera que nos dias atuais as ferramentas que são oferecidas pela Secretaria de Educação são diversas e enxerga que a cada ano que passa o ensino tem avançado com investimentos e cursos dados pela prefeitura de Londrina. 


No mercado, na padaria, shopping e até em nas praças públicas, a professora conta que é comum ser reconhecida. "Sim, encontro muitos ex-alunos e isso é muito gratificante, como estou há 18 anos na rede municipal, tenho alunos já formados e que constituíram família". De seu ponto de vista,  o feedback dos responsáveis  é muito importante para o seu crescimento:



QUANDO A MESTRA TORNA-SE MÃE

 

Professora Jane Piedade Longhini e seus alunos: "As políticas públicas vão além do assistencialismo"
Professora Jane Piedade Longhini e seus alunos: "As políticas públicas vão além do assistencialismo" | Divulgação
 




Graduada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Neuropedagogia, a professora da rede municipal de ensino  Jane Rezende de Morais Piedade Longhini,  considera que ser professora acima de tudo é um ato de amor, doação e muita vocação . Um bom professor vai além da graduação ou outra formação e doar-se é estar 100% conectada com os alunos e compreender além das linhas do caderno ou textos dos livros . "Ser professor e compreender o mundo em que os seus alunos vivem e conseguir ser resiliente e ao mesmo tempo praticar empatia com os mesmos."


Entre as experiências em seus 24 anos de Magistério, teve a oportunidade de  atuar dentro da proteção especial (CREAS). "Isso me fez compreender a importância da rede de serviços efetiva e ativa. Aprendi que políticas públicas vão muito além do assistencialismo. As vulnerabilidades vão além de uma cesta básica , é acreditar que existem formas diversificadas de promover o bem estar de determinados alunos que se encontram em zona de risco. Eu creio sim que as barreiras vividas por alunos ou famílias vulneráveis não impedem os mesmos ter um futuro melhor , ser melhores", expõe.


Em sala de aula, Longhini se sente uma heroína porque os seus alunos veem nela um ser perfeito. "Ao mesmo tempo me sinto com muita responsabilidade , pois a educação é a base pra um futuro que buscamos onde as pessoas compreendam o valor de uma educação de qualidade". O contato com os alunos para ela é essencial, pois a troca enriquece.  "Ser professora me proporcionou ser mãe em vários sentidos, dentro da sala de aula ensinando e compartilhando experiências com muitos alunos que por mim passaram, eles recebiam carinho e atenção, em sua maioria, somente comigo dentro da sala de aula, alguns por falta de tempo dos pais , por problemas de álcool e drogas dentro de casa , já que sempre optei por trabalhar em escolas das áreas com mais vulnerabilidade no município de Apucarana," conta. 

 

 Jane Piedade Loghini e Giovani Viera: filho da professora foi também seu aluno e hoje é um atleta reconhecido
Jane Piedade Loghini e Giovani Viera: filho da professora foi também seu aluno e hoje é um atleta reconhecido | Divulgação
 



Quando se recorda de alunos desacreditados e que eram alvo de críticas até mesmo de familiares, expõe que sua maior alegria é receber, até os dias de hoje recados dizendo o quando foi importante na vida deles é que apesar dos rótulos hoje são :advogados , engenheiro, pedagogos, fisioterapeutas. "O que mais me enche de orgulho nesse momento é meu filho do coração Giovane Vieira de Paula que sofreu um acidente aos 11 anos de idade tendo sua perna amputada por um trem, menino que encontrei numa casa Lar e levei pra minha casa como filho , que passou por vários traumas, por bullying,  rótulos de que nunca seria ninguém, hoje brilha na televisão, rádios e em todos lugar por onde passa , menino que ontem não via sentido pra vida hoje carrega no peito uma medalha de segundo melhor do planeta, medalhista Paralímpico de Tóquio, tenho a honra de receber dele o maior título do mundo o de mãe", alegra-se.


CRIATIVIDADE: PROFESSORA CRIA PERSONAGEM 

 

Vania Rigoti Almeida , a Dra. Operação nas aulas de Matemática
Vania Rigoti Almeida , a Dra. Operação nas aulas de Matemática | Divulgação
 



A professora Vania Rigoti Almeida, dá aulas  há 11 anos na rede municipal de ensino. Em 2021, passou para a coordenação e o fato de ter a experiência em todas as disciplinas - como todo professor municipal, a torna preparada para a missão. Na mesma unidade desde o princípio, a Escola Municipal Maria Shirley Barnabé Lyra, Almeida se sente à vontade com a escola, a comunidade e todas as famílias. A escola localizada no bairro Alexandre Urbanas atende 372 alunos - do P5 ao 5º ano e a professora considera que essa é uma profissão que exige vocação. Precisa ter o dom e a vontade de querer fazer chegar o conhecimento ao aluno. Não basta transpor o conteúdo", reflete.



A escuta, do ponto de vista da educadora, é outro ponto fundamental na rotina de professor. "Principalmente depois do fim de semana, eles chegam eufóricos e precisamos ouvi-los. Precisamos ser acolhedoras, psicólogas, mães, palhaças e até atrizes", conta. A professora revela que durante a pandemia precisou se desdobrar. "Eu assumo que era uma analfabeta digital e com o apoio da Secretaria consegui me superar e até criei uma personagem: a Doutora Operação para chamar mais a atenção dos alunos nas tarefas de matemática, assim como me esforçar para que a disciplina fosse compreendida de modo leve e com a didática necessária. 



A educadora considera ainda que a pandemia serviu para reforçar valores. "Nada substitui a presença do professor, mas nos reinventamos, os colegas trocam aplicativos, dicas e recebemos vários relatos dos pais e responsáveis de como fizemos a diferença em todo esse período de necessário distanciamento e isso enalteceu o valor de nossa profissão", destaca. 



 

AMOR AO BORDADO


Após 30 anos de dedicação ao Magistério, a professora da rede estadual Fátima Carvalho Bernardo assumiu a aposentadoria. Na rede municipal o pedido já foi aberto para que a educadora possa se dedicar integralmente a cuidar o marido, pai de seus três filhos.  Natural de Feijó, no Ceará, recorda que ter materiais de arte eram essenciais em sua casa. "Pedia para a minha mãe vender galinhas para que eu pudesse ter linhas, lã, tecido e costurar.


 

A professora aposentada Fátima Carvalho Bernardo fez do bordado sua razão de ensinar e levou o trabalho até aos alunos do sistema prisional
A professora aposentada Fátima Carvalho Bernardo fez do bordado sua razão de ensinar e levou o trabalho até aos alunos do sistema prisional | Divulgação
 



Com o passar dos anos e o os estudos, a professora se especializou e passou adiante tudo o que sabe sobre artesanato e até alunos do sistema prisional aprenderam a bordar com ela. "Improvisei a costura na talagarça e é uma satisfação muito grande ensinar", confessa.



Nos dias atuais, os mosaicos tornaram-se a ocupação principal da professora Fátima. o sentimento foi aguçado após uma viagem para Barcelona com a filha Betânia que mexeu com os sentidos da professora, sobretudo a admiração por Gaudí.  "Falo que sou arteira e não artista. Esse centro giratório fiz para a minha nora Melissa e me realizo diariamente com as criações de vasos, porta-chaves e considero que eu seja versátil  criativa.


O marido José e os filhos adultos José Bernardo e Thiago incentivam a mãe e professora e veem a cada dia a casa mais personalizada graças a seus trabalhos. "Penso que  aposentadoria não deva ser encarada com tristeza, tão menos passar o dia todo de pijama. Eu também amo dançar e sou a aluna mais velha de dança do ventre da professora Renata Lobo. A arte está presente em minha vida e cada um deve investir no que traz felicidade e produtividade", pensa. 

 

 

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