Zózimo Bulbul é tema de especial
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de maio de 2006
Silvana Arantes<br> Folhapress 
Os atores Zózimo Bulbul e Leila Diniz (1945-72) queriam se beijar na frente das câmeras. Pediram, insistiram, pressionaram pela cena, muito antes desta época em que o ''beijo gay'' que não houve se tornou assunto nacional.
Bulbul e Diniz formavam um casal interracial. O romance entre o negro e a branca ia ao ar, naquele 1969, pela TV Excelsior, no folhetim ''Vidas em Conflito''. Mas a produção não arriscava exibir traço de intimidade entre eles. A pressão dos atores pelo beijo resultou na mudança de curso da trama. O romance de seus personagens se desfez.
Não é à toa que Bulbul, 69, relembre essa história em detalhes para o ator Lázaro Ramos, 27, diretor deste ''Retratos Brasileiros'' que o Canal Brasil exibe depois de amanhã.
Ramos dirige o programa sobre Bulbul e faz questão de desaparecer atrás da câmera. Ele nem sequer insinua seu rosto (também negro), mais que famoso, já consagrado, que hoje frequenta a telinha, aos beijos com a atriz branca Christiana Kalache, na novela global das sete, ''Cobras e Lagartos''.
Antes de Bulbul, Ramos dirigiu um igualmente consistente programa sobre e com Tony Tornado. Sem alarde, o ator/diretor vem (re)contando a história da afirmação racial no universo da produção audiovisual brasileira.
É como se Ramos, ao beijar Kalache, tivesse em conta que não chegou até ali apenas por mérito de seu (extraordinário) talento. Mas também porque, antes dele, houve um Zózimo Bulbul e uma Leila Diniz; uma Elis Regina e um Tony Tornado, a desafiarem preconceitos - patentes e ocultos.
No programa, Bulbul conta o episódio da censura a ''Compasso de Espera'' (70), de Antunes Filho, que talvez ainda hoje permaneça além de seu tempo na abordagem do racismo. Na programação em homenagem a Bulbul, o Canal Brasil exibe hoje os curtas que ele dirigiu, incluindo o desafiador e testemunhal ''A Alma do Olho''.
Serviço:
- Retratos Brasileiros - Zózimo Bulbul
Sábado, às 17h, no Canal Brasil.


