Rio, 22 (AE) - Nélson Rodrigues perde. "Zona de Conflito", do inglês Tim Roth, atração de sábado, domingo, segunda, quarta e dia 30 do Festival Rio 99, tem todos os ingredientes das histórias do nosso dramaturgo (incesto, assassinato em família, menina inocente/depravada) sem seu molho e sua ironia. Mas o filme em que o ator predileto dos produtores independentes americanos (de Woody Allen a Quentin Tarantino) estréia como diretor vem agradando em festivais.
Nesta semana, a produtora Dixie Linder e a protagonista do filme, Lara Bemont, estão no Rio para conferir a repercussão do filme, feito mais com intenção de denúncia que de proporcionar entretenimento. "Tim Roth queria fazer um filme para adultos falando sobre crianças e se apaixonou pela história de "Zona de Conflito" assim que leu o livro de Alexander Stuart que lhe deu origem", contava Dixie Lindera ontem.
"Não temos nada contra filmes de entretenimento, como "Guerra nas Estrelas", mas preferimos usar o cinema para denunciar um fato que não acontece em todas as famílias, embora ocorra em muitas delas, mesmo nas aparentemente normais."
Boa estréia - "Zona de Conflito" conta o dia-a-dia de uma família inglesa que se muda para a beira da praia e comemora o nascimento de uma filha temporã. A situação muda quando o irmão adolescente descobre que o pai abusa da irmã mais velha. O destaque do filme é a interpretação dos atores, tanto os veteranos Tilda Swinton e Colin Farrell, que fazem os pais, quanto os adolescentes Freddie Cunliffe e Lara Belmont, ambos estreantes, que vivem os filhos.
Até fazer o filme, Lara sonhava apenas em ser modelo fotográfico. Ela revelou que foi difícil fazer algumas cenas, mas sempre recebeu muito apoio do diretor e do ator Colin Farrell. "A cena mais difícil é aquela em que fazemos sexo no abrigo da praia, mas acho que não foi fácil também para Farrell", observou. "E ele esteve maravilhosos naquela cena."
Ela foi escolhida para o papel no primeiro teste que fez. Dixie contou que um dos motivos de Roth ter feito o filme na Inglaterra e não em Hollywood foi a liberdade para escolher a história, o estilo e os atores. "Lá, teríamos de trabalhar com estrelas, dar um recado moralista no fim e não poderíamos ter uma história tão sombria como essa", disse Dixie. "Mas é bom deixar claro que o filme tem poucas locações e se passa geralmente dentro de casa, por opção estética, pois Tim não queria que belas paisagens desviassem a atenção do público da história principal".
Roth era aguardado para o lançamento do filme, mas não chegou com as duas companheiras de produção. "Ele esteve divulgando "Zona de Conflito" desde o início do ano ao mesmo tempo que filmava em Paris", justificou Dixie. "Na semana passada, ele foi ao Canadá e ficou cansado demais para vir, mas está telefonando todo dia para saber como o filme está sendo aceito no Brasil."
"Zona de Conflito" teve orçamento de 3,9 milhões de libras (cerca de US$ 6,3 milhões), baixo mesmo para os padrões ingleses. Ainda não foi lançado comercialmente, mas recebeu boas críticas nos festivais. Nem Dixie nem Lara, porém, tinham idéia de como seria acolhido no Brasil. Elas viajam à América Latina pela primeira vez e confessaram ter poucas informações sobre o País.

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