Zezé di Camargo, bom de conversa
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
Fernanda Brambilla<br>Agência Estado 
São 19 anos de uma carreira artística que elevou o status da música sertaneja no País e até rendeu um filme que foi visto por mais de 5 milhões de pessoas (''Dois Filhos de Francisco'', de 2005). Mas Zezé Di Camargo, 47 anos, nem precisa entrar no campo musical para fazer render uma boa conversa.
Você apoiou a candidatura do presidente Lula. Considerando que Dilma é a sucessora dele, se o presidente pedisse, você faria campanha para ela?
Não. Ela teria de me convencer. Hoje, não consigo me ver votando na Dilma. Ninguém me garante que ela vai ser uma boa presidente. A gente tem de conhecer mais a pessoa. Gosto da Marina Silva.
Você continua não querendo entrar na política?
Se você conhecer o Congresso, ficar dois dias lá, você sente nojo. Vejo o Congresso Nacional como um bando de frouxos. A impressão que eu tenho é que eles acham que nunca vão ser assaltados, nunca vão ter um filho sequestrado.
No ano passado, você se submeteu a uma cirurgia (nas cordas vocais) que pôs sua carreira em risco. Isso mexeu com a sua fé?
Eu sou que nem vara verde: envergo, mas não quebro. Sempre botei o coração na frente de tudo e nunca desisti. Uma palavra que eu não suporto é ''depressão''. Estar vivo já é motivo pra ser feliz. Pra mim, estar no palco cantando é ter um orgasmo de duas horas. Mas quando eu me vi sem voz, me tornei um grãozinho de areia.
Para um pai de meninas, a relação com o genro tem de ser boa. Como é com Marcus Buaiz (marido de Wanessa)?
Eu sempre tive um pé atrás com os namorados das minhas filhas. Antes de ser pai, sou homem. Sei como um homem olha para uma mulher, o que ele deseja...Quando a Wanessa decidiu se casar, a única coisa que eu cobrei do Marcus foi respeito. Porque na casa da minha filha eu não sei o que acontece entre quatro paredes. Quem garante que o cara não vai judiar da sua filha? Quantas mulheres apanham do marido e não contam? Eu morro de medo disso. Acho que a Wanessa não suportaria isso. Mas a gente não sabe.
Que bobagem já fez e gostaria que suas filhas não fizessem?
Casar tão cedo. Eu tinha apenas 19 anos quando me casei.
Você ainda se surpreende com a sua trajetória de vida e tudo o que já conquistou até aqui?
Quando eu era criança, música sertaneja era xingamento. Eu ouvia Chitãozinho & Xororó baixinho no rádio, porque se alguém ouvisse eu era expulso do ônibus. Era utopia pensar que cantor sertanejo ia fazer show grande. Hoje, vejo diretor de multinacional cantando minhas músicas. Não penso no que a gente construiu, mas sei que é grande. A minha vida vai servir de exemplo para muita gente.
Hoje, você sabe o tamanho do seu patrimônio? Administra isso ou não tem muito controle?
Eu poderia estar melhor, sabia? Mas artista que dorme pobre e amanhece rico comete esse pecado. Eu trocava de carro a cada seis meses. Mas a gente acordou. Temos empresas, investimentos, fazendas, imóveis, gado. Neste mês, lançamos doze condomínios de luxo em Natal (RN).
Qual o seu maior luxo hoje? O jatinho particular?
Compramos um avião particular um mês após o acidente aéreo dos Mamonas Assassinas (1996). Ficamos com muito medo, porque já tínhamos voado com o piloto que morreu com eles. Entramos numa paranoia. Não foi luxo. Foi necessidade. Mas eu gosto muito de roupa e sou louco por relógios. Tenho Patek Phillippe, Vacheron&Constantin, Franck Muller (os modelos mais baratos dessas marcas custam cerca de R$ 18 mil).
Você é muito vaidoso?
Nunca corrigi uma vírgula do meu rosto. Fiz uma lipoaspiração, há uns dez anos. Mas barriga de lipo é uma coisa horrorosa. Tomo muito cuidado pra não ficar gordo. Já malhei às 4h da manhã. A única coisa que vai me preocupar é quando as mulheres deixarem de se interessar por mim. Mulher é a melhor coisa do universo.
Por falar nisso... Recentemente, surgiu um boato de que você seria o pai do filho de Mariana Kupfer
Não tive nada com ela. Estou processando o veículo que divulgou essa história. Prejudicou minha família. Minha filha Camila entrou em casa chorando no dia.
E o seu casamento? Pergunto porque você está sem aliança.
Nunca usei aliança. Não acho que isso faça diferença. Conheço artistas que escondem que são casados porque acham que prejudica a carreira. São duas coisas que nunca escondi: idade e estado civil.
Então, ciúme entre você e a Zilú é coisa rara?
São muitos anos de casamento. Temos uma relação tranquila. Nem no início eu fui ciumento. Não sou assim. Sabe por quê? Uma mulher, se quiser trair, você pode trancá-la dentro do guarda-roupa que ela trai você com o cabide.
E a fama de conquistador?
É injusta. Nunca fui de dizer que sou certinho. Se sou certinho ou não, eu que sei. Uma vez, me perguntaram se eu já traí. Se eu disser que não traí, não vão acreditar. Se eu traí, não vou contar.
Então, a resposta oficial é não?
Você entende como quiser (ele dá de ombros e ri). Mas não sou conquistador. Não tenho nem tamanho pra isso. Mulher gosta de cara grandão. Eu sou malhado, mas sou baixinho. Sou homem tipo tira-gosto. Tenho 1,65 metro.
É por isso que você usa bota com saltinho?
Bota é meu estilo. Não consigo usar calça com tênis, mas 5 cm a mais fazem diferença. Eu adoraria ter 10 cm a mais. Mas não sou frustrado com isso. Só quando alguém me fala: ''Nossa, como você é baixinho!'', eu penso: ''Ah! Vá pra puta que pariu.''
Com tantas viagens, como mantém rotina decente de casal?
Prefiro ter rotina de casal indecente. Esse negócio de decente não é comigo, não. É isso que mantém meu casamento. Imagina dormir e acordar ao lado da mesma pessoa por 30 anos? Eu não estaria mais casado. Não suporto rotina. E não é só pra mim. A mulher tem de ter a vida dela, passear com as amigas, viajar. Vai pra Milão e só volta em 15 dias? Ótimo.
Tudo bem ficar duas semanas, um mês sem sexo?
Eu nem faço mais sexo (risos).
Já tomou Viagra?
(Ele se espanta) Não.
Nem por curtição, curiosidade?
Não. Mas estou curioso. Sabe que essa é a mentira que todo homem conta, né? ''Eu nunca tomei''. Todo homem fala que nunca usou. Eu também estou falando. (risos)
Sertanejo é namorador?
É. É mesmo. Eu sou exceção.
Que tipo de música você ouve, sem ser sertanejo?
Gosto de bandas de rock antigas, como Queen e Led Zeppelin. Antes, a qualidade musical era melhor. Hoje, é só barulho. Há coisas que as pessoas gostam e que eu não consigo ouvir, como U2 e Rolling Stones. Penso: ''Não é possível que tenha gente que ligue para a rádio para pedir isso''.


