Zeta-Jones e Sharon Stone embalam estréias antecipadas
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Luiz Zanin Oricchio 
São Paulo, 02 (AE) - Duas mulheres estupendas, Catherine Zeta-Jones e Sharon Stone, chegam antes do tempo às telas por causa do feriadão. Elas estão em "Armadilha" e "Gloria", filmes que tiveram suas estréias antecipadas para amanhã pelas distribuidoras. No mesmo caso estão também "Ressurreição - Retratos de um Crime" e "Simples como Amar", que chegam aos cinemas um dia antes da tradicional estréia das sextas-feiras.
Mas são Catherine e Sharon as grandes atrações para quem gosta de curtir um cineminha. Sharon, a gente já conhecia de outros carnavais. Principalmente depois daquela famosa cruzada de pernas em "Instinto Selvagem", no qual ela interpretava uma psicóloga ninfomaníaca e eclética em matéria de sexualidade. Catherine é achado mais recente. Esta galesa, de ar latino e corpo de valquíria, foi descoberta pela mídia e pela libido masculina em "A Máscara do Zorro", no qual contracenava com o felizardo Antonio Banderas. Volta agora, trabalhando com o veterano Sean Connery - o eterno James Bond.
Catherine Zeta-Jones é uma jovem de 29 anos, chegando impávida àquela idade que Balzac estimava ideal para uma mulher. Sharon é uma proeza da maturidade, um fenômeno do tipo Vera Fisher. Com 41 anos interpreta Gloria, a personagem anteriormente vivida no cinema por Gena Rowlands, aos 46. Gena, no filme original, escrito e dirigido por seu marido, John Cassavetes, exibia às vezes aquele ar cansado típico de quem já viu e viveu muita coisa. Expressão que podia ser atribuída tanto à idade quanto ao simples fato de ser grande atriz.
Sharon, na refilmagem assinada por Sidney Lumet, é figura primaveril. Fresca como flor serrana, mesmo quando sai de uma penitenciária barra-pesada onde cumpriu pena assumindo a culpa por crime que não cometeu. Deixa a prisão embalada em vestido de noite negro e decotado - cena tão improvável quanto deliciosa. Passa o resto do filme concentrando um generoso capital físico em suas ações mais cotadas, aquele par de pernas merecedor de pelo menos dois Oscars da Academia.
Ela interpreta a mulher que convive com a bandidagem até conhecer um menino que teve a família liquidada pela quadrilha. O próprio garoto corre risco de vida porque tem em seu poder um disquete de computador contendo informações comprometedoras. Gloria, que nunca se ligou a ninguém, deixa-se conquistar pelo menino. Instinto materno, humanização pela dor, simples compaixão - todos esses bons sentimentos podem estar na origem da conversão da personagem. O fato é que a arrivista autocentrada aceita colocar a pele em risco para salvar a vida da criança.
O filme de Cassavetes, feito em 1980, é bem mais rico e complexo que o de Lumet, que estréia agora. Há no primeiro um sentido de alusão, uma violência implícita que não se encontram no segundo. Lumet decide (ou decidiram por ele) que a história deveria ser mais "explicada", segundo o dogma de que o público fica deprimido quando precisa pensar um pouquinho. A Gloria de Cassavetes tinha seu passado envolto em mistério. A de Lumet é acompanhada desde que sai da prisão, encontra-se com o pérfido ex-namorado, briga com ele, etc., etc. Tudo tintim por tintim.
A personagem de Gena Rowlands é da pesada. Tem dedo leve no gatilho e não hesita em despachar quem estiver pelo caminho. A de Sharon é mais doce. Para ser politicamente correta, tinha de ser inocente de tudo, vítima das circunstâncias. Essa preocupação em não desagradar a ninguém torna o filme anódino para todo mundo.
Se a esterilização estética coloca Gloria naquela região amena da indiferença, "Armadilha" nem a isso chega. Nesse filme de aventuras, vagamente inspirado em "Ladrão de Casaca", de Hitchcock, há algumas cenas divertidas, com Connery tentando dar sobrevida a um projeto chinfrim à custa do manjado charme escocês.
Há cenas sensuais, como as de Catherine se contorcendo como a Tiazinha para desviar-se dos raios laser de um alarme de museu. Mas, como não há química entre Connery e ela e como o roteiro obedece a voto de pobreza franciscana, nenhuma instância - leiga ou religiosa - pode conceder absolvição a este equívoco cinematográfico.


