Zeca Pagodinho grava com anônimos
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sábado, 03 de dezembro de 2011
Marco Aurélio Canônico <br> Folhapress 
Rio de Janeiro - A roda de samba corre solta, com muitas cervejas. Num canto do quintal, Zeca Pagodinho, o dono da casa, observa o parceiro Zé Roberto cantar um pot-pourri de sucessos (''O Penetra''/''Pai Coruja''/''O Vacilão'') que compôs para o amigo célebre gravar.
''Obrigado, Zeca, por esse presente'', diz Zé Roberto, agradecendo ao convite para estar ali, gravando um CD e um DVD ao vivo. Pagodinho faz uma cara de ''ah, para com isso'' e gesticula para o amigo continuar cantando.
Não quer, afinal, que as câmeras e os olhares se voltem para ele; foge de ser o centro das atenções como sempre. Ali ele está em casa, entre amigos, e as estrelas são figuras como Zé Roberto, Serginho Meriti, Barbeirinho do Jacarezinho - desconhecidos autores de várias canções que ele transformou em sucessos com sua interpretação.
Esse é o espírito do ''Quintal do Zeca'', projeto com lançamento previsto para março de 2012 e bolado pelo cantor para dar voz e imagem aos compositores que abastecem seu repertório com pérolas como ''Deixa a Vida me Levar'' (Serginho Meriti/Eri do Cais) e ''Caviar'' (Barbeirinho/Marcos Diniz/Luiz Grande). ''Eles vão cantar o que já gravaram comigo, para as pessoas identificarem, saberem que a música não é minha'', diz Zeca. ''A ideia é sempre promover os compositores.''
A reportagem acompanhou a gravação do segundo volume do projeto (o primeiro é de 2001), numa terça quente de outubro, no mítico sítio de Zeca em Xerém, na Baixada Fluminense (a uma hora do centro do Rio).
Era um dia de trabalho, mas quem visse a cena dificilmente diria isso. Havia um churrascão armado para 200 convidados, de vizinhos anônimos a estrelas globais como Regina Casé, Cissa Guimarães e os cassetas Hubert e Hélio de La PeÀa.
No centro do quintal, um quiosque (Bar dos Canalhas, diz a placa) com a mesa onde ficam os bambas e onde os convidados (veja ao lado) se revezam para cantar, acompanhados pelo coro da galera. Zeca fica zanzando, com um copo na mão; ora conversa com um, ora brinca com o neto, ora canta um pouco.
Nesse clima, ninguém se aperta com imprevistos: Caetano Veloso não pôde ir? Há outro baiano a postos, Nélson Rufino, que é convidado a ocupar a vaga cantando ''Verdade'', canção sua que virou sucesso na voz de Zeca. ''Isso é o que acontece normalmente, nós só gravamos essa realidade'', explica o anfitrião. ''Tudo sempre dá certo. Até quando dá errado.''


