Emoção é a única palavra capaz de definir o recital ‘‘Uns e Outros Versos’’, com poemas de Zeca Corrêa Leite e música de Luciano Lima e Gabriel Schwartz, que aconteceu anteontem à noite, no Teatro Universitário de Curitiba (TUC). Entre o palco e a platéia lotada se criou um elo de emoção recíproco, que fez muitos olhos se encherem de lágrimas.
Teve bis. E não poderia ser diferente. Durante uma hora e meia, o público foi presenteado com os mais doces e autênticos versos, que falam de coisas simples como cheiro de goiaba, barulho de carroças, estrelas, pai e filho ou longas tranças da avó.
O recital começou com o belo poema ‘‘Até Pensei’’, passou por ‘‘Cartas Sem Endereço’’, ‘‘Copacabana, 1959’’, ‘‘Retrato’’, ‘‘Iperó, 1953’’ e ‘‘Vai, Carlos, Ser Gauche na Vida’’.
Entre um verso e outro, o violonista Luciano Lima e o flautista Gabriel Schwartz tocavam valsas e choros. Um dos momentos altos da apresentação foi quando o poeta declamou ‘‘Carroças invisíveis passavam pelo ar levando nossos sonhos, nossos olhos, nossos corações...’’, uma de suas mais belas criações. Na sequência, a atenta platéia ouviu ‘‘Meu Filho’’ e a bem-humorada ‘‘Nova York, 1930’’.
Para o trecho final do espetáculo, o poeta reservou três recentes textos, elaborados para a atriz Silvanah Santos. ‘‘Por Detrás do Mar’’, ‘‘Traição’’ e ‘‘A Avó’’ fazem parte de uma coletânea que em breve se transformará no espetáculo ‘‘Dezessete Poemas Para Uma Atriz’’.
Após o emocionante desfecho, quando a ‘‘avó passou o pente nos cabelos da noite, tirou do pente fios emaranhados e jogou para o céu as estrelas caídas no chão’’, o público não se conteve. Em pé, aplaudindo incansavelmente, exigiu outro verso e foi atendido. Zeca mais uma vez brilhou, para sorte de seu fiel público.

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