Zeca Baleiro queria lançar o provocativo ''O Disco do Ano'' em pen drive para ironizar o formato do CD. O cantor afirma que estava prestes a realizar o trabalho de forma independente, quando a gravadora Som Livre fez uma proposta interessante. ''Eu teria de bancar todo o custo, mas me deram carta branca para criar da minha maneira e acabei me rendendo. Com isso, o nome do álbum perdeu o impacto'', brinca.
Assim, criou seu ''monstro de 12 cabeças'', como se refere ao disco de 12 faixas e 15 produtores diferentes, já à venda em lojas de todo o país. O disco tem, ainda, participações de Frejat, Margareth Menezes, Andreia Dias e Chorão, entre outros. ''Tive medo de ficar um disco ''Frankenstein', porque dei total liberdade aos produtores e não interferi na criação'', diz. No entanto, Baleiro não considera o trabalho fragmentado ou menos seu por causa disso.
Já o título conceitual de seu 13º álbum faz alusão, de forma bem-humorada, aos rankings de melhores CDs que jornais e revistas costumam fazer. ''Queria provocar vocês, formadores de opinião, Caetano Veloso, Nelson Mota, e questionar o critério com que as listas e os rankings são feitos'', dispara.
Baleiro diz que está acostumado a estar fora dessas listas, mas se incomoda com a injustiça delas. ''A mídia brasileira é muito carioca. Só elege, entre os melhores compositores, os Los Hermanos. Para mim, o cara desta geração é o Wado'', defende. Na letra da música ''Mamãe no Face'', a provocação fica explícita: ''Mamãe, eu fiz o disco do ano/ E até mesmo o Caetano parece que aprovou'', canta.

mockup