Um maranhaense radicado em São Paulo, um palco instalado no norte do Paraná e uma plateia tão heterogêna como ávida por atividades artísticas e culturais. Estes são elementos que compõem o encerramento da 5ª edição do Festival SESC Cultural de Etnias, em Londrina, e confirmam como a pluralidade está presente no cotidiano e na essência da sociedade. O show "Piano", com Zeca Baleiro e Adriano Magoo, é gratuito e será às 18 horas.

Múltiplo, criativo e admirável, Zeca orna com o festival. Sabe explorar o verbo, as entrelinhas e, à flor da pele, transcende. Na canção 'Heavy metal do Senhor" (1997) avisa: 'O cara mais underground que eu conheço é o diabo/ Que no inferno toca cover das canções celestiais/ Com sua banda formada só por anjos decaídos/A plateia pega fogo quando rolam os festivais /Mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor".

O poeta sabe "brincar" com as palavras, faz pensar e as suas rimas, ricas, tem conteúdo.

Feito happy end, o cantor e compositor traz para o encerramento a proposta intitulada recital pop. Irá apresentar ao público sucessos de sua discografia, além de releituras de músicas do seu repertório. Uma das características do artista é o fato de sua música derivar de muitos ritmos tradicionais brasileiros: samba, pagode, baião com elementos do rock, pop e música eletrônica com um modo muito particular de tocar violão.

"Piano" é também o trabalho mais recente do músico. Lançado em maio de 2025, é uma colaboração minimalista com o instrumentista Adriano Magoo. De acordo com a assessoria de imprensa, esse show começou com uma pequena turnê, para um projeto especial iniciado por Baleiro com Magoo em 2011. Do show embrionário serão mantidas “Não Adianta”, de Sergio Sampaio, “Esotérico”, de Gilberto Gil, e “Espinha de Bacalhau”, de Severino Araújo. Entre as canções autorais, devem se destacar Babylon (ZB), Bandeira (ZB), Respira (Chico César/ZB) e Telegrama (ZB), entre outras.

Zeca Baleiro e o pianista Adriano Magoo se apresentam neste domingo (19) em Londrina trazendo um show que já percorreu o Brasil
Zeca Baleiro e o pianista Adriano Magoo se apresentam neste domingo (19) em Londrina trazendo um show que já percorreu o Brasil | Foto: Guilherme Leite/ Divulgação

VIROU ARTISTA

Natural de São em Luís do Maranhão, José Ribamar Coelho Santos é de 1966. Em "Vô Imbolá", 1996, escreve: 'Quando eu nasci era um dia amarelo/Já fui pedindo chinelo/Rede café caramelo/O meu pai cuspiu farelo/Minha mãe quis enjoar/Meu pai falou mais um bezerro desmamado/Meu deus que será bandido/Soldado doido varrido'. Virou artista.

Frequentemente descrito como irreverente, é admirado pela sua capacidade de abordar temas polêmicos ou ironizar aspectos da sociedade moderna, como o vício em redes sociais. Essa irreverência se manifesta em seus projetos musicais, como o "Baile do Baleiro", que celebra a diversidade musical brasileira com um espírito alegre, e em sua postura, como a crítica à estrutura do palco no Festival de Garanhuns de 2025, que considerou um obstáculo à conexão entre artistas e o público.

A qualidade de suas letras é indiscustível. E ao cantar, saboreia cada sílaba, dá sentido e as desenha cantando. Não por acaso, começou sua carreira compondo melodias e músicas para peças infantis de teatro, onde se destacou pelo modo diferenciado de criar. Letras ricas, profundas e que contemplam comportamentos universais. Mudou-se para Belo Horizonte, onde cantava pelos bares da cidade. Foi morar em São Paulo, onde dividia um apartamento com seu parceiro musical Chico César. Apesar de sua carreira musical já existir 12 anos antes de gravar seu primeiro disco em 1997, seu salto para a fama foi em sua participação no Acústico MTV de Gal Costa com a canção "Flor da Pele", que lhe valeu projeção nacional.

Os anos seguintes só confirmaram o seu talento diante de parcerias de peso como Chico César, Rita Ribeiro, Lobão, O Teatro Mágico, Arnaldo Antunes, Zé Geraldo, Paulinho Moska, Lenine, Fagner, Zeca Pagodinho, Genival Lacerda e Zé Ramalho.

No ano 2000, Zeca Baleiro participou do desfile de Primavera-Verão 2000 de moda M. Officer, que foi realizado em parceria com o artista plástico Nelson Leirner. O desfile foi marcado pela ousadia, com os músicos inseridos em uma passarela circular no interior do evento e a parceria representou um diálogo entre moda e a arte, refletindo o trabalho criativo e ousado de Zeca e da marca de roupa.

DISCO COM HH

Perto dos 30 anos de carreira, soma dezessete discos de estúdio, cinco cds ao vivo, nove dvds e vários projetos especiais, em que se destacam o disco em parceria com a poeta Hilda Hilst, “Ode descontínua e remota para flauta e oboé – de Ariana para Dionísio”, e “Café no Bule”, cd em parceria com Paulo Lepetit e Naná Vasconcelos. Como produtor, realizou mais de vinte discos de artistas diversos, como Sérgio Sampaio , Odair José, Antonio Vieira e Vanusa. Ainda soma a sua trajetória composições de sua autoria interpretadas por Simone, Gal Costa, Elba Ramalho, Vange Milliet, Adriana Maciel, Luíza Possi, Rita Ribeiro, Renato Braz e Claudia Leitte.

Pianista, acordeonista, compositor, arranjador e produtor musical, Adriano Magoo nasceu em Nilópolis (RJ), em 1974. Seu primeiro contato com a música foi aos 5 anos cantando no coro da igreja. Aos 7 anos já arriscava alguns acordes no violão e com 11 anos mudou-se com a família para o Pantanal, para a capital sul-mato-grossense, onde iniciou seu trabalho como músico tocando em bandas, bares, casas noturnas e com artistas da região. Aos 14 anos outra mudança, desta vez para o Norte, para Porto Velho, o coloca em contato com a música caribenha e regional.

SERVIÇO

5ª edição do Festival SESC Cultural de Etnias

Encerramento com show "Piano", de Zeca Baleiro

Quando: domingo (19), às 18 horas.

Onde: Sesc Londrina Cadeião Cultural e Museu do Café - Rua Sergipe, 52 – Centro

Mais informações no site do Festival Cultural de Etnias

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