Zé Rodrix lança primeiro livro na segunda-feira
São Paulo, 19 (AE) - Depois de desistir da música popular brasileira, de afastar-se do mundo teatral e de de deixar para trás suas incursões pelo jornalismo, Zé Rodrix resolveu aventurar-se por caminhos literários. Ele estará lançando, na segunda-feira (22), seu primeiro livro, "Diário de um Construtor do Templo" (Record, 448 páginas, R$ 30).
O recém-escritor afirma que sempre escreveu, mas só teve coragem de publicar alguma coisa agora. "Acontece que antes eu nunca ficava satisfeito com o resultado", explica. "Agora eu posso dizer que estou orgulhoso do produto final."
Dois motivos o levaram a sua primeira ficção histórica: a paixão por escrever e a maçonaria. Maçon há dez anos (filho e neto de maçons), Rodrix queria escrever sobre algo que simbolizasse a entidade que surgiu na Idade Média. Em suas pesquisas, ele foi até Jerusalém, no ano de 1000 a.C., e reconstituiu a história da construção do Templo de Yahweh (ou o Templo de Salomão), a partir de Joab, personagem criado por Rodrix.
Filho órfão de um soldado fenício, Joab enfrenta problemas e refugia-se em Jerusalém, encontrando como única alternativa para sobreviver o trabalho como operário na construção do templo. O trabalho de Joab, de construir algo, remete à maneira como os próprios maçons se autodenominam: pedreiros livres, sendo Deus o grande arquiteto do universo. Para Rodrix, o Templo de Salomão é o grande símbolo da maçonaria e de todo o esoterismo ocidental. "Queria mostrar o percurso interno de uma pessoa que se harmoniza com a construção do templo."
Mas e o caráter secreto da maçonaria? O leitor vai ter acesso aos conhecimentos passados de geração para geração ao longo de séculos? "A maçonaria deixou de ser secreta para tornar-se uma sociedade discreta", afirma Rodrix. "Não falo sobre a maçonaria em si, mas quero despertar o interesse do leitor."
Ao longo do livro, personagens históricos e bíblicos misturam-se aos criados pelo autor, compondo uma narrativa cheia de aventura, que envolve até mesmo o próprio rei Salomão. Distante de uma casa na campo, sem cabras e carneiros pastando em seu jardim, o carioca Rodrix mora há quase 20 anos na inquieta São Paulo. O que permanece fortemente de seu hit musical de 1971 é a fixação por livros e entre os 12 mil que compõem sua biblioteca prevalecem os que falam sobre culinária e alimentos no geral.
Assunto que também habita o universo de suas paixões e que faz parte do seu próximo livro, que ele já está escrevendo. "O Cozinheiro do Rei", como deve chamar-se, também vai ter o formato de uma ficção histórica, mas, desta vez, com o Brasil Colonial de pano de fundo e mais uma vez com a presença da maçonaria. O livro deve ficar pronto em novembro do ano que vem.
Fórmula - "O bom, ao fazer pesquisas para esse novo livro, é constatar que os movimentos que marcaram a história do Brasil nem sempre ocorreram como os historiadores contam", ressalta. A repetição da fórmula do primeiro livro, romance ou ficção histórica faz parte de um processo natural: "É o que eu gosto de ler, então é o que eu escrevo."
Dono de uma produtora que trabalha direto com o mercado publicitário, A Voz do Brasil, Zé Rodrix já trocou a MPB por jingles de comerciais e já fez trilha sonora para cinema. Isso só na área musical. Artista múltiplo, ele garante que cada um tem de encontrar o seu talento. "O meu, não é a música ou o teatro especificamente", diz, justificando suas várias atividades artísticas. "O meu talento é criar."





