São Paulo, 05 (AE) - Fundador do quarteto vocal Boca Livre, Zé Renato começou nos anos 90 uma brilhante carreira-solo. Está lançando mais um CD. Os dois anteriores foram tributos - a Sílvio Caldas, que conheceu na infância (o pai de Zé Renato era amigo do grande cantor), e a Zé Kéti, o autor de "A Voz do Morro" e "Opinião", que andava esquecido. Não por coincidência, Zé Kéti foi, logo depois de sair o disco de Zé Renato, agraciado com o Prêmio Shell de Música Brasileira. Infelizmente, morreu pouco depois.
O novo trabalho de Zé chama-se "Cabô". É um disco de samba, um tributo ao samba. Apresenta Zé Renato numa função menos conhecida, a de compositor - de 9 das 12 faixas. E, já que vai haver quem pergunte o que um branco (branco brasileiro, bem sabido seja) de classe média e voz aguda tem a ver com samba, segue a resposta: tudo. Zé Renato faz show de lançamento do disco no Sesc Pompéia, no sábado e no domingo.
Zé Renato é um músico extraordinário e, sem dúvida (músico completo) e, sem dúvida, um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. O compositor é capaz de batuques tão negros quanto qualquer batuque negro - como se ouve na faixa de abertura, "Cândidas Neves", parceria dele com Nei Lopes. Na base estão o violão de seis cordas de Zé, o de sete cordas de Carlinhos, o cavaquinho de Pedro Amorim, percussão de Marçalzinho, Zero, Ovídio e Marcelinho Moreira, baixo acústico de Nema Antunes. Dize-me com quem andas. Com Zé, o melhor.
Além de suas músicas, Zé Renato separou preciosidades alheias: "Um Novo Amor Chegou", de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, "Como Tem Zé na Paraíba", de Catulo de Paula e Manezinho Araújo, e "Até hoje não Voltou", deliciosa, engraçadíssima crônica de Geraldo Pereira e J. Portela - o cara vai buscar uma mulher na roça, para não correr o risco com as morenas da cidade. Mas...
Para ajudá-lo na celebração, Zé convidou parceiros de diversas correntes, alguns improváveis - Paulinho Moska, Arnaldo Antunes, Pedro Luís -, além dos prováveis - Nei Lopes, Abel Silva, Sérgio Fonseca, Elton Medeiros, Lenine (sim, Lenine é de samba). "Cabô" é um lançamento Indie Records e, num ano que tem oferecido, generosamente, samba do bom, desde já um dos melhores.

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