Zé Ramalho leva sua 'Nação Nordestina' ao Teatro Guaíra
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O espetáculo mais disputado do mutirão cultural do Banco do Brasil, que está em Curitiba desde a semana passada, será visto hoje no Guairão, às 21 horas: o encontro no palco de Zé Ramalho e Rita Ribeiro. Ela com o show Pérolas aos Povos e ele com Nação Nordestina. Enfim, dois artistas em momentos distintos da carreira a cantora iniciante na carreira para o grande público, e Zé Ramalho, aos 25 anos de estrada, transformado num dos medalhões da música brasileira.
O cantor e compositor está com disco novo na praça, Nação Nordestina. E calcado no repertório deste CD o 15º título em sua discografia o artista montou seu mais novo espetáculo. Depois de algum tempo desaparecido das gravadoras e da mídia, ele volta. O público, quase uma entidade misteriosa que nem sempre responde prontamente aos ídolos que deixam a cena, festejou o retorno com simpatia.
Nação Nordestina é o segundo álbum duplo de Zé Ramalho para o selo BMG-Ariola. Nele estão 20 músicas, das quais seis inéditas saídas de sua lavra e, dizem, é disparadamente o mais belo e mais importante lançamento de toda sua vida artística. Ali tudo se combina, desde o capricho gráfico da capa, à produção musical e a qualidade das composições.
Elas não são, meramente, um conjunto de músicas escolhidas para compor o disco. Cada qual mantém uma costura com a canção seguinte. Há sequências e consequências nessa sucessão sonora. Quem ouvir atentamente acompanhará uma história de lutas constantes e glórias esparsas de um povo corajoso e forte, abandonado nos fins de mundo de uma nação embebida pelas novidades da vida urbana.
Enfim, esta foi a maneira encontrada pelo compositor para valorizar esse pedaço nordestino que vive no limbo do desconhecimento, mas que nem por isso deixa de pulsar e sobreviver, com suas verdades eternas e contradições infindas por nós ainda desconhecidas, como disse Assis Ângelo. É bela lição esta que o cidadão José Ramalho Neto nos dá através do artista que mora em si.
Vindo de Brejo da Cruz, na Paraíba, filho de uma professora e de um seresteiro que morreu muito cedo, criado pelo avô, Zé Ramalho encorajou-se e saiu pelo mundo com menos de 20 anos de idade. Deixou para trás suas atividades de morador do interior cuidar de gado e foi buscar a sorte. Dono de uma voz forte e rascante, misturou o que tinha vivido com o que estava conhecendo e assim chegou ao disco, às paradas de sucesso e marcou sua presença na música brasileira. Prova de que continua sendo um dos artistas que tem público numeroso e fiel, basta dizer que os dois mil lugares do Guairão foram esgotados assim que abriram as bilheterias do teatro. Isso, há quase uma semana.
Nação Nordestina, com Zé Ramalho, hoje no Guairão, às 21 horas, no evento cultural do Banco do Brasil. Ingressos esgotados.


