O espetáculo mais disputado do mutirão cultural do Banco do Brasil, que está em Curitiba desde a semana passada, será visto hoje no Guairão, às 21 horas: o encontro no palco de Zé Ramalho e Rita Ribeiro. Ela com o show ‘‘Pérolas aos Povos’’ e ele com ‘‘Nação Nordestina’’. Enfim, dois artistas em momentos distintos da carreira – a cantora iniciante na carreira para o grande público, e Zé Ramalho, aos 25 anos de estrada, transformado num dos medalhões da música brasileira.
O cantor e compositor está com disco novo na praça, ‘‘Nação Nordestina’’. E calcado no repertório deste CD – o 15º título em sua discografia – o artista montou seu mais novo espetáculo. Depois de algum tempo desaparecido das gravadoras e da mídia, ele volta. O público, quase uma entidade misteriosa que nem sempre responde prontamente aos ídolos que deixam a cena, festejou o retorno com simpatia.
‘‘Nação Nordestina’’ é o segundo álbum duplo de Zé Ramalho para o selo BMG-Ariola. Nele estão 20 músicas, das quais seis inéditas saídas de sua lavra e, dizem, é disparadamente o mais belo e mais importante lançamento de toda sua vida artística. Ali tudo se combina, desde o capricho gráfico da capa, à produção musical e a qualidade das composições.
Elas não são, meramente, um conjunto de músicas escolhidas para compor o disco. Cada qual mantém uma costura com a canção seguinte. Há sequências e consequências nessa sucessão sonora. Quem ouvir atentamente acompanhará uma história de lutas constantes e glórias esparsas de um povo corajoso e forte, abandonado nos fins de mundo de uma nação embebida pelas novidades da vida urbana.
Enfim, esta foi a maneira encontrada pelo compositor para valorizar esse pedaço nordestino que vive no limbo do desconhecimento, mas que nem por isso deixa de pulsar e sobreviver, ‘‘com suas verdades eternas e contradições infindas por nós ainda desconhecidas’’, como disse Assis Ângelo. ‘‘É bela lição esta que o cidadão José Ramalho Neto nos dá através do artista que mora em si’’.
Vindo de Brejo da Cruz, na Paraíba, filho de uma professora e de um seresteiro que morreu muito cedo, criado pelo avô, Zé Ramalho encorajou-se e saiu pelo mundo com menos de 20 anos de idade. Deixou para trás suas atividades de morador do interior – cuidar de gado – e foi buscar a sorte. Dono de uma voz forte e rascante, misturou o que tinha vivido com o que estava conhecendo e assim chegou ao disco, às paradas de sucesso e marcou sua presença na música brasileira. Prova de que continua sendo um dos artistas que tem público numeroso e fiel, basta dizer que os dois mil lugares do Guairão foram esgotados assim que abriram as bilheterias do teatro. Isso, há quase uma semana.
• ‘‘Nação Nordestina’’, com Zé Ramalho, hoje no Guairão, às 21 horas, no evento cultural do Banco do Brasil. Ingressos esgotados.

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