O paraibano Zé Ramalho, 49, reata o nó em ‘‘Eu Sou Todos Nós’’. Seu novo CD retoma o veio explorado em ‘‘Cidades & Lendas’’ (96, 50 mil cópias vendidas) de canções em geral inéditas, que havia sido interrompido pelo estrondo de ‘‘Antologia Acústica’’ (97, 500 mil cópias), todo feito de regravações. ‘‘‘Cidades & Lendas’ marcou o início de uma nova etapa na minha vida, foi uma recuperação. Eu tinha sido quase apagado, ia sair pela porta dos fundos’’, afirma, referindo-se a meados dos 80, quando enfrentava o consumo pesado de drogas e uma acusação de plágio. ‘‘Aquele disco foi produzido por mim, independentemente. A BMG pegou como uma isca, um boi de piranha. Soltou 10 mil cópias para ver se funcionava’’, relata.
Após o ‘‘boi de piranha’’, o caminho se abriu com ‘‘O Grande Encontro’’ (96, 500 mil cópias), a reunião de Zé com Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho. O sucesso do projeto, também de releituras, permitiu que em seguida Zé revisasse a própria obra, àquela altura semi-esquecida. O desafio, agora, é segurar a onda de revalorização num CD de canções compostas nos últimos dois anos. ‘‘É a trilha sonora da minha vida neste momento’’, diz.
‘‘Pela gravadora, eu certamente faria ‘Antologia 2’, mas a sequência natural para mim era um disco de inéditas’’, continua. As cifras de vendas - talvez surpreendentes para a BMG - credenciaram Zé a fazer certas exigências contratuais.
‘‘Fiz questão de definir tudo no contrato, três obras fechadas, todas já definidas: essa que está saindo, o duplo ‘Nação Nordestina’ e ‘Zé Ramalho Canta Raul Seixas’’’. A gravadora queria que o último fosse o primeiro, mas parece que Zé anda mesmo com cacife. E, soltando ‘‘Eu Sou Todos Nós’’, já se entusiasma com seu sucessor. ‘‘‘Nação Nordestina’ será essencialmente político. É uma seleção de autores do Nordeste, de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro até nomes desconhecidos, falando da condição do nordestino. Estou montando o repertório, é uma configuração assustadora. Vai incomodar’’, prevê. Há política também no CD ‘‘Sem-Terra’’. ‘‘Hoje é fora de moda, mas se eu fizesse no tempo dos militares seria preso e torturado até a alma. Usei a estrutura da canção de protesto, dos festivais. É um diálogo com ‘Caminhando’, de Geraldo Vandré.’’ Zé aproveita para desnudar admiração e proximidade (in) esperadas de Vandré - afastado da mídia desde episódios de suposta tortura durante o regime militar.

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