O cantor e compositor Zé Geraldo está lançando o disco ‘‘No Meio da Área’’, pelo selo Paradoxx. Este é o 12º disco da carreira do músico que nasceu em Rodeiro, na Zona da Mata de Minas Gerais, depois mudou-se para São Paulo e sonhava em ser jogador de futebol quando era adolescente.
O disco, como vários outros da carreira de Zé Geraldo, traz a mistura própria de sua música entre o rural e o urbano. Traz até uma música, ‘‘Demasiadamente Urbano’’, de Renato Teixeira, em que fala sobre uma pessoa que mora na cidade, mas está louca para voltar para o campo. ‘‘O Renato Teixeira sempre me homenageia com uma música e essa caiu direitinho’’, diz Geraldo.
Já no título do CD, o autor apresenta suas armas. ‘‘É uma música do grupo Manimal, que é muito boa, além de ser este um ano esportivo, com Copa do Mundo. Também é um alerta que diz que estou aí, no meio da área e se derrubar é pênalti.’’
A ligação de Geraldo com o esporte é antiga. Quando era adolescente e já morava em São Paulo, quis ser jogador profissional de futebol, mas um acidente encurtou drasticamente sua carreira. Só a partir daí é que começou a se interessar mais seriamente pelo violão. ‘‘Nunca pensei antes disso em ser músico profissional’’, confessa. Do futebol, hoje, só restaram os amigos e admiradores como Casagrande, Luís Pereira e Amaral, antigos jogadores.
Outras amizades de Zé Geraldo estão presentes no disco. Ele compôs sete das 11 faixas, mas apenas três sozinho. Além do Grupo Manimal, o CD é permeado por várias parcerias ou mesmo músicas de gente nova, ainda desconhecida do grande público, como Biru de Pirituba e Daniel Cabana (‘‘Blues do Municipal’’) e Marco Resende, de Taubaté (‘‘Banquete de Hipócritas’’).
As parcerias e composições sempre aparecem porque o músico está aberto a elas. ‘‘Em todos os meus shows eu recebo pessoas que me entregam fitas e por algumas vezes eu gostei tanto da música que até incluí no próprio show para depois gravar’’, conta.
Graças a essa abertura e a um público fiel, Zé Geraldo mantém-se na ativa com agenda cheia de shows, embora suas músicas não toquem nas rádios e ele não apareça nos programas de televisão. ‘‘Existe uma rede alternativa pelo interior do País que é ótima. No início dos anos 80 até pensei em parar com tudo, mas em 85, quando percebi que tinha esse público me senti respaldado e faço show quase toda semana’’, revela.

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