Zé do Caixão dá aula para novos detetives
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Raphael Marchiori<br>Folhapress 
São Paulo - Quem anda na rua 24 de Maio, centro de São Paulo, encontra galerias antigas e salas que abrigam comércios incomuns. Mas nada se compara à FBI (Federação Brasileira de Investigação), uma agência de espionagem que tem o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, como um de seus professores.
Logo na entrada, chama a atenção um DVD com uma aula para detetives dada por Mojica. No vídeo, o personagem de filmes de terror ensina técnicas de interpretação, espionagem e investigação a futuros detetives.
Além disso, faz os alunos espirrarem, se coçarem e se encararem por alguns minutos sem uma única palavra.
''O que diferencia um bom detetive de outro é a arte de interpretar. O investigador nunca deve se expor e revelar sua identidade'', diz Mojica. O cineasta fez o curso há 20 anos e, por hobby, dá aulas a novos detetives a cada dois meses.
A FBI diz formar, em média, 60 alunos por mês em 25 cursos. O responsável pelo local é o paulistano Evódio Eloísio de Souza, 68, que afirma ter como especialidade a contraespionagem industrial, que não sai por menos de R$ 500 a diária. A localização de pessoas desaparecidas pode chegar a R$ 10 mil.
O exercício da profissão de detetive não tem uma regulamentação específica, mas é garantida, de forma indireta, pela Constituição Federal e consta da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) do Ministério do Trabalho.


