Seo José, ou melhor dizendo, ''Zé do Bode'' (como é mais conhecido), veio de Itacarambeí (Bahia) bem jovem para Londrina. E hoje, aos 62 anos, ainda carrega viva na memória as festas tradicionais do mês de junho que participou até quase os 18 anos. O apelido veio da sanfona, instrumento que toca com maestria. ''É tradição lá do sertão'', explica. E a tradição veste Zé do Bode até hoje, com chapéu de couro típico do nordeste, camisa listrada e, claro, a sanfona nas mãos para tocar um bom forró.
''Eu era molecote e acompanhava o sanfoneiro nas festas juninas. A gente fazia a fogueira e pegava um pau bem alinhado na caatinga para fincar perto da fogueira'', recorda. O pau era coberto com sebo, para ficar bem escorregadio, e Zé do Bode explica que no topo eram colocados biscoitos e notas de ''mil réis'' como prenda. Os festeiros tinham que tentar escalar o pau para conquistar as prendas. ''Os mais espertos colocavam areia nas mãos e no bolso da calça (para repor nas mãos) e conseguiam subir'', entrega.
A festa era oferecida pelo dono da casa. O dia da realização dependida da devoção de cada um. Dia 13 para Santo Antônio, dia 24 para São João e dia 29 para São Pedro. ''A gente assava abóbora moranga, mandioca, batata doce e tinha quentão'', descreve seu José. Ele conta também que as quadrilhas eram ''a coisa mais linda''. ''A noiva vinha em um carro de boi, tinha o padre e o sanfoneiro vinha tocando e cantando atrás. Depois tinha forró a noite inteirinha'', relembra com saudade. O noivo, como segue a tradição até hoje, vestia calças remendadas no bumbum e nos joelhos. As mulheres se enfeitavam com saias compridas. Mas na cabeça era usado o chapéu de couro, e não os de palha adotados atualmente.
Segundo Zé do Bode, as festas duravam três dias embaixo de uma barraca montada por eles e coberta com folha de catigueira e bagaço de cana. No topo era colocado um candeeiro alimentado com querosene. ''Às vezes a poeira começava a subir e a mulherada vinha com umas gamelas de água para jogar no chão. Depois o forro continuava''.
Hoje, no Paraná, Zé do Bode lamenta que as festas daqui são bem diferentes das nordestinas. ''Precisava trazer a tradição de lá para cá'', almeja. Para ele, colocar guitarra, bateria e aparelhagem de som descaracteriza a festa. ''Lá é só a sanfona, o triângulo, o pandeiro e o zabumbo'', acrescenta. Mas, apesar das diferenças, Zé do Bode segue animando festas juninas até hoje. Quem quiser convidá-lo para participar pode contactar pelo telefone 3338-7640. (F.B.)

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