Yoshi Oida faz apresentação e lança livro em São Paulo
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sábado, 22 de maio de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 23 (AE) - Chega ao Brasil em junho o ator e encenador japonês Yoshi Oida, considerado um dos melhores intérpretes do Centro Internacional de Criações Teatrais dirigido por Peter Brook, em Paris. Em uma entrevista, Brook referiu-se a Oida como "o mais precioso de seus colaboradores". A agenda do ator no País prevê uma oficina de atores, uma conferência, o lançamento de um livro e a apresentação de um de seus espetáculos.
Há 30 anos integrando a companhia de Brook, o ator protagonizou algumas das mais importantes montagens do diretor, como "Mahabharata" e "O Homem Que Confundiu Sua Mulher com um Chapéu", baseada em livro homônimo de Oliver Sacks. No cinema, Yoshi atuou no filme "O Livro de Cabeceira", de Peter Greenaway, entre outros. Em 1975, Yoshi passou a dirigir e desde então vem criando espetáculos em vários países da Europa.
O lançamento do livro "Um Ator Errante", pela Beca Produção Cultural, abre as atividades de Oida no Brasil, no dia 17, no Sesc Pompéia. Primeiro livro de Oida, publicado na década de 90 na França e já traduzido na Alemanha, Itália e Holanda, faz uma reflexão sobre o ator e o teatro.
No mesmo dia, Oida dará uma palestra para 350 pessoas, durante na qual falará de seu trabalho, seu livro e responderá a perguntas do público. Nos dias 18, 19 e 20 estão programadas apresentações do espetáculo "Interrogações", dirigido por Oida e interpretado pelo alemão Wolf Dieter Trustedt. Yoshi Oida ainda dará oficinas para atores profissionais traduzidas e monitoradas pelo diretor teatral Francisco de Medeiros, a partir do dia 21.
A vinda do ator ao Brasil marca as comemorações dos 20 anos da Cooperativa Paulista de Teatro, que promove o evento em parceria com o Sesc. Fundada em 1979, a cooperativa reúne hoje cerca de 600 artistas e mais de 120 grupos teatrais, entre eles, Parlapatões, Patifes & Paspalhões, Cia. do Latão e Nau de Ícaros. A programação sobre a vinda de Yoshi atende a um dos objetivos da cooperativa - o aperfeiçoamento profissional dos associados. "Yoshi Oida é um artista de extrema importância, respeitado mundialmente e ainda pouco conhecido no Brasil", comentou o diretor teatral José Geraldo Petean, integrante da diretoria da Cooperativa Paulista de Teatro. "Há muito tempo tínhamos vontade de trazê-lo, uma vez que seu trabalho interessa a todos os que trabalham com pesquisa de linguagem, com o teatro não comercial, com a experimentação", afirmou.
Formado em filosofia no Japão, onde nasceu em 1933, Oida começou sua carreira teatral como ator de teatro nô, na Escola Komparu. Contrariando a tradição teatral japonesa - em geral os atores especializam-se num gênero teatral e nele atuam durante toda a vida -, dedicou-se também ao estudo de Kiôgen, na Escola Okura, de dança Kabuki, na Escola de Buyo. Ao mesmo tempo, tornou-se ator e narrador de Bunraku, técnica tradicional de manipulação de bonecos, aprendida com o mestre Juzo Tsauruzawa.
Sua inquietação artística o levou a abandonar o Japão e, em 1968, foi convidado por Peter Brook para integrar a companhia que o diretor começava a formar com intérpretes de várias nacionalidades. Hoje, muitos encenadores de prestígio - como Ariane Mnouchkine, do Théâtre du Soleil - buscam mesclar as linguagens teatrais oriental e ocidental. Oida deixou o Japão aos 35 anos e há 31 trabalha no Ocidente, onde dirigiu textos de Beckett e Albert Camus, entre outros.
"Meu teatro é impregnado das duas influências, a japonesa e a de Peter Brook", afirmou numa entrevista. Ou seja, por sua trajetória artística, Oida tem tudo para obter êxito na sonhada fusão entre Oriente e Ocidente. Isso o público brasileiro poderá conferir no dueto entre ele e o alemão Trustedt no espetáculo Interrogações.
"Estamos muito felizes por nossa entidade ter conseguido solidez suficiente para trazer um artista do porte de Oida e, claro, ter conseguido o apoio do Sesc para essa difícil empreitada", diz Petean. "A busca de Oida não está voltada para o ego, mas para o equilíbrio espiritual", comenta. "Com todo o seu prestígio, ele é muito simples; quando perguntei o que desejava ter no camarim, repondeu: água."


