A viúva de John Lennon, Yoko Ono, de 65 anos, disse ontem em Brasília que adorou o futurismo arquitetônico da cidade e que a capital brasileira parece ter sido feita por extraterrestres. ‘‘É quase como se alguém de outro planeta tivesse vindo aqui’’, afirmou a artista. Yoko está na cidade para uma grande retrospectiva de sua obra que será aberta hoje, às 10 horas, no Teatro Nacional. A mostra tem 14 instalações que ocupam ainda outros espaços, como o Panteão da Pátria de Brasília.
Yoko disse que já tinha ouvido falar muito em Brasília, mas que, logo ao desembarcar, se deu conta que as descrições não faziam justiça. Ela afirmou que desenvolveu recentemente uma relação particular com o Brasil, por influência do filho Sean Lennon. Segundo ela, Sean passou um ano inteiro ouvindo bossa nova para produzir o seu primeiro disco. ‘‘Por causa disso, muitos críticos que o viam como o herdeiro do rock, torceram o nariz, porque esperavam algo diferente do filho de John Lennon’’, informou. ‘‘Mas meu filho não tem o menor medo de sair de casa’’, afirmou. ‘‘Como o pai, ele está sempre interessado em horizontes novos.’’
Yoko Ono definiu-se como uma boêmia. ‘‘Muita gente crê que eu tenho muitos planos, mas na verdade sou uma boêmia, me deixo levar pelo fluxo das coisas’’, ressaltou. ‘‘Então, se algo vem até mim, eu vejo como uma bênção; eu vejo a indicação de Brasília como uma bênção’’, salientou.
A mostra de Yoko Ono em Brasília intitula-se Wish Trees for Brazil (Árvore do Desejo para o Brasil) e remonta 30 anos da carreira da artista que começou em 1961 com uma instalação na Tate Gallery de Londres. Uma das instalações é feita de caixões de defuntos com buracos por onde crescem árvores. ‘‘É uma homenagem às pessoas anônimas que surgem em caixões após as tragédias’’, afirmou Pablo Ricco Lacasa, um dos curadores da exposição. ‘‘Meu trabalho tem tragédia, tem comédia e também alegria de viver’’, disse a artista.
Após Brasília, a exposição segue para Salvador onde será aberta ao público dia 23 de fevereiro.

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