Bandas com nomes legais existem aos montes. Mas o Yeah Yeah Yeahs suplantou a concorrência. Criado há três anos, o trio de Nova York de inspirado nome é a ''bola da vez'' da temporada.
O hype (badalação) começou quando um integrante dos Strokes apareceu com um broche do grupo no programa de tevê ''Saturday Night Live''. Foi o que bastou para o boca-a-boca entupir os shows da banda, seguido de intermináveis entrevistas para publicações especializadas americanas e inglesas.
Nem Londrina escapou do culto, pelo menos no circuito alternativo de shows, onde meninas já desfilam com ''Yeah Yeah Yeahs'' nas camisetas. Agora, depois de lançar dois EPs, o grupo testa o potencial fonográfico com o álbum ''Fever to Tell'' (importado).
O disco, proibitivo para tímpanos delicados, oferece uma coleção de faixas sujas de graxa de garagem. Cru e visceral, não surpreende como os álbuns de estréia dos Strokes e do Interpol dois outros expoentes do ''novo rock'' novaiorquino mas também não desaponta.
O grande destaque é a vocalista Karen O, 23 anos, uma colisão de Chryssie Hynde, Siouxsie Sioux e PJ Harvey. Ela grita, sussurra e sexualiza sílabas sobrepondo-se à base estridente e selvagem executada por Nick Zinner (guitarra) e Brian Chase (bateria).
O repertório traz um dilúvio de guitarradas tôscas na maioria das canções. Após atravessá-lo, o ouvinte encontra ilhas de melodia em duas das três últimas faixas do CD a cadenciada ''Maps'' (que lembra, acreditem, U2) e a climática ''Modern Romance'' (com interpretação contida de Karen O).
Entre as duas, a pulsante ''Y Control'' desponta como o destaque do álbum, com a vocalista lembrando como nunca os timbres de Siouxsie Sioux. É ao vivo, porém, que suas performances arrebatadoras têm conquistado platéias lá fora. O grupo, aliás, estava cotado para figurar no elenco pop do TIM Festival (ex-Free Jazz), que acontece em outubro no Rio de Janeiro. Mas por falta de agenda, acabou excluído.

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