Yamandu e Hamilton se renovam
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de novembro de 2009
Lucas Nobile<br> Agência Estado 
Tornou-se carta marcada a crítica classificar encontros de Yamandu Costa e Hamilton de Holanda como duelos entre dois virtuosos. Dispensando todas as previsões rasteiras, violonista e bandolinista mostram um amadurecimento cada vez maior. O resultado salta aos ouvidos nitidamente no disco ''Luz da Aurora'', que a dupla acaba de lançar.
O álbum foi gravado em janeiro do ano passado, no Auditório Ibirapuera, ao vivo, em três noites. O repertório e o estilo de Yamandu e Hamilton jogam constantemente com improvisos e arranjos espontâneos, livres de amarras e convenções. ''A gente tem a técnica por um motivo só, pra que a gente consiga passar tudo que está na cabeça e no coração para os dedos'', diz Hamilton.
O disco também é mais uma oportunidade para que o público, que já via a dupla como exímios instrumentistas, passe a encará-los também como compositores de respeito. A qualidade das criações do violonista e do bandolinista, que já dava sinais positivos nos trabalhos individuais dos dois, acentuou-se neste álbum, revelando belas composições. Exemplo disso são ''Samba pro Rapha'', feita por Yamandu em homenagem a Raphael Rabello, e três parcerias entre bandolinista e violonista: ''Samba do Véio'', tributo ao ex-presidente do Clube do Choro de Brasília, o doutor Six, ''Cochichado'', uma brincadeira de contrapontos de Yamandu e Hamilton sobre a harmonia de ''Cochichando'', de Pixinguinha, e ''Luz da Aurora'', valsa emotiva e dolente que batiza o disco.
''Quando você cria seu universo de composição, que é a grande alforria do músico, você pode tudo'', diz Yamandu. ''A gente não pensa em compor assim ou assado, e não se preocupa muito com o ontem, o hoje e o amanhã. É como se a gente tivesse os pés no passado, o coração no presente e a cabeça no futuro'', completa Hamilton.


