"Xuxa Requebra", um musical, estréia em dezembro


Por Luiz Carlos Merten
Por Luiz Carlos Merten

Rio, 30 (AE) - Um domingo de agosto, último dia da filmagem de "Xuxa Requebra", o novo filme de Tizuka Yamasaki com a rainha dos baixinhos. O set é a antiga concentração da seleção brasileira, na Avenida das Paineiras, junto ao Corcovado. A vista do Rio é deslumbrante. Pelos corredores deste hotel trafegaram nomes mitológicos da seleção brasileira, à frente o atleta do século, Pelé. Não é um dia normal de filmagem e não apenas por ser o último. Tizuka está filmando o que chama de "rabinhos". São as cenas que ficaram faltando: planos, contraplanos, pequenas sequências que vão completar, aqui e ali, o que já foi rodado.
A temperatura é agradável, mas vai caindo alguns graus. À medida que a noite se aproxima. "Estamos um pouco acima do Alto da Boa Vista, que mede a temperatura mínima do Rio", informa a assessora de imprensa, Mônica Muniz. Houve dias em que fazia tanto frio e ventava tanto que o clima se assemelhava aos invernos mais rigorosos do Sul. Apesar disso, Xuxa tinha de atuar com vestidinhos leves, shorts. "Afinal, é um filme de verão", acrescenta Mônica.
E de novo é preciso fazer a ressalva: não um filme qualquer de verão. "Xuxa Requebra" quer ser o filme brasileiro do verão do ano 2000. Não será fácil. O filme estréia no dia 17 de dezembro. No dia 25, entra "O Trapalhão e a Luz Azul", com Renato Aragão. E, em 7 de janeiro, "O Castelo Rá-Tim-Bum". A concorrência é grande, mas o produtor associado Diler Trindade está animado. "Se Titanic fez 16 milhões de espectadores no verão do ano passado, não vejo por que não podemos dividir esse número entre os três filmes brasileiros do verão e mais algum estrangeiro que pintar", diz.
Trindade é o produtor associado da Xuxa Produções em todos os filmes estrelados pela orientada de Marlene Mattos. A própria Marlene está no set. Não chega a acompanhar a rodagem, mas está presente para dar seu apoio. O filme é cria dela, de Trindade, de Xuxa, de Tizuka. "Um produto de equipe", define Marlene. A história foi criada a diversas mãos, mas o roteiro é assinado por Evandro Mesquita, ex-Asdrúbal Trouxe o Trombone, ex-Blitz.
Na história, Xuxa é uma repórter que esconde sua timidez por trás de pesados óculos. Ela trabalha no jornal Hora X. É pautada para uma reportagem. Descobre que um prédio que está para ser demolido é a antiga escola de dança em que estudou. A dona, que foi muito importante em sua vida, morreu e Xuxa resolve salvar o prédio. Participa com as bailarinas de um concurso de dança. No meio do caminho, surge Daniel, o cantor sertanejo.
Ele faz parte do grupo de vilões comandado por Macedão. Fuma feito um condenado. Aliás, todos os vilões fumam muito. "O filme mostra cigarro como droga, vai contra a indústria tabagista", explica Trindade. Por trás da pesada maquiagem, o espectador vai descobrir que Macedão, na verdade, é Elke Maravilha. Daniel apaixona-se por Xuxa, vira bozinho. Entra em cena Tiazinha, como uma motogirl. E daqui a pouco é a vez de Luciano Huck, que apresenta o concurso de dança.
Recorde - "É um filme musical, um musical maneiro, com muitos números de dança", define Xuxa. É uma palavra que se vai repetir muitas vezes ao longo da entrevista. Xuxa usa muito a palavra maneiro. Se ela gosta, se uma coisa tem estilo e é simpática, é maneira. As músicas são maneiras, as coreografias (de Oswald Berry, o coreógrafo da Xuxa Produções) são maneiras. Mas, por enquanto, é só uma vontade de filme. "Cinema é imprevisível: a gente filma aos pouquinhos, pedacinho por pedacinho e só no fim descobre no que deu", ela diz. Por isso mesmo, faz cinema, mas reconhece que essa não é sua praia.
Faz porque seu público exige. O último filme, "Lua de Cristal", também dirigido por Tizuka, detém o recorde de público do cinema brasileiro nos anos 90. Foram 5 milhões de espectadores. Xuxa tem expectativa de bater o próprio recorde? "Não penso em números de bilheteria", diz. Pensa em fazer o filme caprichado, com empenho. Se ele for maneiro, o sucesso de público será consequência. "Ou não", filosofa Xuxa, para quem o sucesso de um filme é imprevisível.
Ela sabe que não é atriz. "Sou uma modelo que deu certo como apresentadora e uma apresentadora que faz filmes", define-se. Mas todos no set acham que Xuxa melhorou bastante como atriz. Há uma cena, em que ela recebe a notícia da morte de sua protetora e precisa chorar. A emoção foi tão genuína que provocou entusiasmo. "Tenho gente que me ajuda", diz Xuxa. Tizuka Yamasaki, claro, mas, desta vez, Xuxa lamenta que não tenha conseguido repassar seus textos com a amiga Tássia Camargo
como sempre faz.
Marlene Mattos conta como foi o processo criativo de "Xuxa Requebra". "Fizemos umas pesquisas de marketing vendo quem ou o que o público gostaria de ver num filme da Xuxa." Assim foram sendo montados o roteiro e os números musicais. Daniel representa o segmento sertanejo, Tiazinha traz seu apelo sadomasô, Luciano Huck incorpora o segmento jovem. E há muita música: Fat Family, Claudinho e Buchecha, Banda Cheiro de Amor, Terra Samba.
A própria Xuxa compara o novo filme com "Lua de Cristal". "Aquele era um filme sobre a necessidade de lutar para realizar os sonhos; esse trata de uma personagem que precisa adquirir autoconfiança." Há muitas Nenas inseguras por aí, diz Xuxa. Nena é sua personagem.
Embora ela seja repórter, não é um filme sobre o papel da imprensa nem sobre a onipresença da própria Xuxa na imprensa brasileira. Ela encara o assédio com naturalidade. "Era modelo, sou apresentadora, é natural que esteja sempre exposta." Marlene vem em seu socorro: acha que Xuxa é uma persona pública, mas tem sua vida particular salvaguardada. "Pode não ter vida íntima, mas particular ela tem", diz.
Espanhol - Xuxa aproveita um intervalo da rodagem, quando um novo set está sendo montado para a cena de dança (que só terminará sendo rodada tarde da noite), para gravar o texto do trailer em espanhol. É uma das novidades de "Xuxa Requebra". O filme terá lançamento simultâneo na Argentina. Na verdade, entra um dia antes, 16 de setembro, em Buenos Aires, onde Xuxa é tão ou mais idolatrada do que no Brasil.
Será um lançamento grande: cerca de 200 cópias no Brasil e 50 na Argentina. Diler explica a diferença: "A Argentina é um país de 20 milhões de habitantes." Ele conta que não foi fácil levantar os R$ 2,5 milhões da produção. Seus parceiros são Aquafresh, C&A, Wella, Universal Music, Kibon, Yakult e o Grupo Sendas. "O mercado estava muito retraído, ninguém queria colocar dinheiro na produção."
Trindade foi buscar verba do Ministério da Cultura. "Estranharam; pô, um filme da Xuxa, como se Xuxa não fosse cultura", diz.A opinião dominante é de que Xuxa não precisa dessas verbas porque tem um monte de gente querendo colocar dinheiro nos filmes dela. Não é bem assim, esclarece Trindade. Ele teve a mesma dificuldade de qualquer produtor que procura recursos. Sabe que não está fazendo um filme-cabeça, mas um divertimento popular. Só que defende esse divertimento como cultura: "Brasileiro adora futebol, carnaval, música e TV." O filme incorpora muita coisa do universo da música e da TV, a começar por Xuxa, que trafega nos dois.
Trindade sabe que dificilmente repetirá os 5 milhões de espectadores de "Lua de Cristal", que também co-produziu. "Para os investidores, acenamos com um público de 1,5 milhão de espectadores, que será muito bom; para a Marlene (Mattos), falo num público de 2 milhões, mas na verdade estou trabalhando para ver se faço 3 milhões de espectadores." Enquanto isso, negocia com a Fox ou a Buena Vista para ver qual das duas assume a distribuição e investe o milhão que falta para o superlançamento.
Tizuka evita as estimativas de público. Depois de "Lua de Cristal", ela tem dirigido a estrela nos seus especiais de fim de ano na Globo. Sabe o tipo de filme que está fazendo, mas trata de fazê-lo com profissionalismo. "Faço concessões, mas só até certo ponto", diz. "Se sentir que vai comprometer meu trabalho, rodo a baiana."

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