Xangai reúne compositores paraibanos em CD
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Ranulfo Pedreiro 
A compositora Cátia de França estava gravando um disco em João Pessoa, na Paraíba, quando convidou o amigo Eugênio Avelino, o Xangai, para participar de algumas faixas. O cantor entrou no estúdio, soltou a voz e, na saída, recebeu o convite para gravar um CD no Estado.
Proposta aceita, Xangai selecionou várias músicas de compositores paraibanos. Com uma voz extensa e versátil, Eugênio Avelino gravou junto com o Quinteto da Paraíba, grupo que se destacou na trilha sonora de Central do Brasil. O resultado foi Um Abraço Pra Ti Pequenina, que saiu este ano pela Acácia. Em outubro, o CD ganhou distribuição nacional pela Kuarup.
Aclimatado com as versões escolhidas, Xangai solta a veia de cantador experiente, que já rodou o País ressaltando valores do sertão. Sua voz é costurada à sonoridade do Quinteto pelos arranjos de Sérgio Galo, que salientam a musicalidade nordestina.
As surpresas continuam no repertório. O disco abre com Filomena e Fedegoso, de Jackson do Pandeiro, que, ao lado de João do Vale e Luiz Gonzaga, é um dos grandes compositores da região. A segunda faixa traz Alagados, de Herbert Viana. A música ganhou um andamento diferente, que agradou o guitarrista.
O Herbert adorou o resultado, ficou emocionado quando conversamos por telefone. O repertório do disco é bacana, foi escolhido por mim, são músicas com as quais me identifico, comenta Xangai, em entrevista por telefone à Folha 2.
Um Abraço Pra Ti Pequenina traz participações especiais de Vital Farias - voz em Serrote Agudo, de Zé Marcolino e Luiz Gonzaga, e voz e violão em Caso Você se Case, de sua autoria, num dueto com Xangai -; do compositor Pedro Osmar - autor de Beijo Morte Beijo, na qual canta e toca violão -; e da própria Cátia de França cantando Os Galos, uma de suas composições. Cátia de França também participa com Djanira, parceria com Xangai e Israel Semente.
O acompanhamento do Quinteto da Paraíba faz parte de um estilo que há tempos guia a carreira do cantor: as raízes populares presentes nas composições e na interpretação se fundem a arranjos instrumentais que se aproximam da música erudita, uma mistura também muito utilizada por Elomar, com o qual Xangai trabalha com certa frequência.
Nesse amálgama, o intérprete encontra bom embasamento para a voz, enquanto o instrumental também ganha destaque. O Quinteto da Paraíba é formado por Yerko Pinto e Ronedilk Dantas nos violinos, Samuel Spinoza na viola, Nelson Campos no violoncelo e Xisto Medeiros no contrabaixo.
É muito bom trabalhar com o Quinteto, que é um meio termo fantástico, é uma sinfônica reduzida. Deus me deu a versatilidade de cantar com uma orquestra ou sem instrumentos, explica Xangai.
Outro paraibano presente no álbum é Chico César, com Saudade Senhora Dona, faixa que traz uma história curiosa. Ele compôs essa música há dez anos, inspirado em meu trabalho. Agora, depois de tanto tempo, eu faço a primeira gravação. É inédita, revela Eugênio Avelino.
O repertório do disco ainda inclui Ave de Prata, de Zé Ramalho, Reunião de Tristeza, de Sivuca, Miragem do Porto, de Bráulio Tavares e Lenine, Brincadeira da Fogueira, de Antonio Barros, Forró na Gafieira, de Rosil Cavalcanti e Canção Primeira, de Geraldo Vandré. Alguns compositores que ficariam de fora ganharam homenagens em curtas vinhetas, como Cassiano, Zé Marcolino, Zé do Norte e Genival Macedo.
Enquanto se dedica a novos trabalhos ao lado de Elomar - os dois são de Vitória da Conquista, na Bahia, e se conhecem desde a infância -, Xangai critica a valorização de tendências comerciais: A verdadeira música está esquecida, jogada no lixo, são poucas as pessoas que não se deixam alienar, que não ficam à mercê do que o marketing apregoa. É preciso que as pessoas acordem. Embora seja distribuído em todo o Brasil, Um Abraço Pra Ti Pequenina pode ser encomendado na Kuarup, pelo telefone (021) 220-1623, ou pelo e-mail [email protected].


