A compositora Cátia de França estava gravando um disco em João Pessoa, na Paraíba, quando convidou o amigo Eugênio Avelino, o Xangai, para participar de algumas faixas. O cantor entrou no estúdio, soltou a voz e, na saída, recebeu o convite para gravar um CD no Estado.
Proposta aceita, Xangai selecionou várias músicas de compositores paraibanos. Com uma voz extensa e versátil, Eugênio Avelino gravou junto com o Quinteto da Paraíba, grupo que se destacou na trilha sonora de ‘‘Central do Brasil’’. O resultado foi ‘‘Um Abraço Pra Ti Pequenina’’, que saiu este ano pela Acácia. Em outubro, o CD ganhou distribuição nacional pela Kuarup.
Aclimatado com as versões escolhidas, Xangai solta a veia de cantador experiente, que já rodou o País ressaltando valores do sertão. Sua voz é costurada à sonoridade do Quinteto pelos arranjos de Sérgio Galo, que salientam a musicalidade nordestina.
As surpresas continuam no repertório. O disco abre com ‘‘Filomena e Fedegoso’’, de Jackson do Pandeiro, que, ao lado de João do Vale e Luiz Gonzaga, é um dos grandes compositores da região. A segunda faixa traz ‘‘Alagados’’, de Herbert Viana. A música ganhou um andamento diferente, que agradou o guitarrista.
‘‘O Herbert adorou o resultado, ficou emocionado quando conversamos por telefone. O repertório do disco é bacana, foi escolhido por mim, são músicas com as quais me identifico’’, comenta Xangai, em entrevista por telefone à Folha 2.
‘‘Um Abraço Pra Ti Pequenina’’ traz participações especiais de Vital Farias - voz em ‘‘Serrote Agudo’’, de Zé Marcolino e Luiz Gonzaga, e voz e violão em ‘‘Caso Você se Case’’, de sua autoria, num dueto com Xangai -; do compositor Pedro Osmar - autor de ‘‘Beijo Morte Beijo’’, na qual canta e toca violão -; e da própria Cátia de França cantando ‘‘Os Galos’’, uma de suas composições. Cátia de França também participa com ‘‘Djanira’’, parceria com Xangai e Israel Semente.
O acompanhamento do Quinteto da Paraíba faz parte de um estilo que há tempos guia a carreira do cantor: as raízes populares presentes nas composições e na interpretação se fundem a arranjos instrumentais que se aproximam da música erudita, uma mistura também muito utilizada por Elomar, com o qual Xangai trabalha com certa frequência.
Nesse amálgama, o intérprete encontra bom embasamento para a voz, enquanto o instrumental também ganha destaque. O Quinteto da Paraíba é formado por Yerko Pinto e Ronedilk Dantas nos violinos, Samuel Spinoza na viola, Nelson Campos no violoncelo e Xisto Medeiros no contrabaixo.
‘‘É muito bom trabalhar com o Quinteto, que é um meio termo fantástico, é uma sinfônica reduzida. Deus me deu a versatilidade de cantar com uma orquestra ou sem instrumentos’’, explica Xangai.
Outro paraibano presente no álbum é Chico César, com ‘‘Saudade Senhora Dona’’, faixa que traz uma história curiosa. ‘‘Ele compôs essa música há dez anos, inspirado em meu trabalho. Agora, depois de tanto tempo, eu faço a primeira gravação. É inédita’’, revela Eugênio Avelino.
O repertório do disco ainda inclui ‘‘Ave de Prata’’, de Zé Ramalho, ‘‘Reunião de Tristeza’’, de Sivuca, ‘‘Miragem do Porto’’, de Bráulio Tavares e Lenine, ‘‘Brincadeira da Fogueira’’, de Antonio Barros, ‘‘Forró na Gafieira’’, de Rosil Cavalcanti e ‘‘Canção Primeira’’, de Geraldo Vandré. Alguns compositores que ficariam de fora ganharam homenagens em curtas vinhetas, como Cassiano, Zé Marcolino, Zé do Norte e Genival Macedo.
Enquanto se dedica a novos trabalhos ao lado de Elomar - os dois são de Vitória da Conquista, na Bahia, e se conhecem desde a infância -, Xangai critica a valorização de tendências comerciais: ‘‘A verdadeira música está esquecida, jogada no lixo, são poucas as pessoas que não se deixam alienar, que não ficam à mercê do que o marketing apregoa. É preciso que as pessoas acordem’’. Embora seja distribuído em todo o Brasil, ‘‘Um Abraço Pra Ti Pequenina’’ pode ser encomendado na Kuarup, pelo telefone (021) 220-1623, ou pelo e-mail [email protected].

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