X-MEN: O CINEMA MUTANTE
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha 2 
Até parece que as férias escolares não acabaram. A aventura juvenil X-Men (veja a programação de cinema na página 5) invade a partir de hoje cerca de 370 cinemas brasileiros nem a Fox sabia até ontem o número certo e convoca/provoca uma legião de fãs, nem tão extensa como os trekkiemaníacos de Jornada nas Estrelas, mas tão fiel e fanática quanto. A corrida às bilheterias agora é só questão de horas.
Adaptados de um dos mais populares quadrinhos da grife editorial Marvel Comics durante os anos 90, os X-Men ganham neste crepúsculo de século uma versão cinematográfica exatamente no momento em que um sonho da ciência e, portanto, até então ficção científica alcança status de verdade. É óbvio que a descoberta recente do mapeamento genético do ser humano não deve retirar o interesse dos fiéis vassalos da turma de mutantes que hoje ocupa as telas, mas já se sabe que possibilidades infinitas, abertas a partir da pesquisa em torno dos genomas, já estão deixando obsoletos livros e filmes. E da mesma forma o capítulo efeitos especiais no cinema, este talvez o mais notável e expresso objeto de mutação.
A evolução genética da humanidade é descrita na abertura de X- Men. Esta descrição, didática e necessária para não-iniciados, tornou-se dispensável para os adeptos da série já a partir de 63, quando foi criada por Stan Lee e Jack Kirby. Feita a síntese, concisa e simples graças ao diretor-roteirista Brian Singer, fica mais fácil penetrar no universo gráfico dos personagens, dispensadas as referências dos quadrinhos.
Os X-Men são um grupo de mutantes com extraordinárias habilidades, reunidos e treinados pelo professor Charles Xavier (Patrick Stewart) e dotados de prodigiosos poderes telepáticos. Juntos eles lutam pelo sonho um mundo onde a minoria mutante e a maioria normal possam conviver em harmonia de serem aceitos e julgados não pelos poderes, mas pelo caráter. Mas há o eterno lado contrário às boas intenções. O Mestre Mutante do Magnetismo, Magneto (Ian McKellen), marcado pela brutalidade que experimentou na infância durante o Holocausto na Polônia, acredita que a raça mutante é superior à humanidade e deveria dominá-la.
É claro que Xavier e Cyclops (James Marsden), Jean Grey (Famke Janssen), Rogue (Anna Paquin), Storm (Halle Berry) e Wolverine (Hugh Jackman) não vão permitir. Mas até a batalha final contra o time de Magneto, com a intrigante Mystique (Rebecca Romijn-Stamos), Toad (Ray Park) e Sabretooth (Tyler Mane), muitos efeitos especiais vão desfilar diante da platéia no duelo entre telepatia e magnetismo. Neste sentido, e também no item diversão sem contra-indicação, X-Men é descendente direto de Matrix. O roteirista e diretor é Brian Singer, elevado à categoria de quase gênio depois do ótimo Os Suspeitos e do muito bom O Aprendiz.


