Woody Allen mostra filme jazzístico
France Presse
Como já é hábito há sete anos, o cineasta nova-iorquino Woody Allen fez no último domingo, no Festival de Veneza, a estréia de seu mais recente filme, a Sweet and Lowdown, que narra a história de um excêntrico e frustrado guitarrista de jazz nos anos 30.
Prefiro essa festival porque considero Veneza mais importante do que o Oscar, afirmou o esquivo cineasta, falando nos Estados Unidos, já que ele evita comparecer a todo e qualquer festival.
O 29º filme de Woody Allen está ambientado na década de 30 e narra afetuosamente a vida de um extravagante guitarrista de jazz, de talento extraodinário, mas que se sente sempre o número dois por não ter conseguido o sucesso de Django Reinhardt, cuja vida inspira a produção.
Somente a atriz Samantha Morton esteve presente à estréia mundial da obra de Allen, protagonizada por Sean Penn. Neste novo filme, Woody Allen pediu a colaboração do diretor de fotografia chinês Zhao Fei (conhecido por seu trabalho em Lanternas Vermelhas, de Zhang Yimou), que trabalha pela primeira vez fora de Pequim. Allen optou pela técnica do documentário, com entrevistas com especialistas e, inclusive, ele próprio sobre a vida do grande músico.
É pouco interessante realizar filmes sobre personagens a quem todos conhecem bem e se divertem, afirma o cineasta, que escolheu um personagem perdedor e frustrado, que rende anedotas trágicas e cômicas.
Com uma namorada muda, uma esposa com ambições literárias e a paixão de atirar contra ratos, o personagem de Allen, narcisista e gastador, resulta quase ingênuo, num mundo de pistoleiros.
O aspecto mais agradável da comédia, aplaudida pelo público presente, é sempre a música e principalmente o jazz, uma paixão de Allen. Woody Allen está atravessando uma fase muito produtiva e acaba de anunciar o tema de seu próximo filme: uma comédia sobre o mundo dos ladrões, enquanto se prepara para participar como ator no filme de Alfonso Arau (Como Água para Chocolate e Caminhando nas Nuvens), Picking up the Pieces.





