'Woodstock' para 5 mil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
''Woodstock em Cambé'' é título da dissertação de Ana Paula de Angeli Andrade apresentada à disciplina de Metodologia e Técnica de Pesquisa em História na UEL, sobre o festival de rock em 11 de fevereiro de 1973, no Clube Recreativo Cascata, que atraiu cinco mil aficionados, desde a véspera. Associava-se aquele rock à contracultura, ao ''underground'', o movimento dos que não se submetiam a padrões convencionais.
Proporcionalmente aos 14 mil habitantes da cidade, era uma multidão extraordinária, cujo colorido configurou uma semelhança mínima com o Festival de Woodstock, nos Estados Unidos, que reuniu 400 mil pessoas, em 1969.
Denominado ''1 Colher de Chá'', o evento seria ''uma oportunidade para os jovens se interessarem por seus semelhantes'', segundo Cláudio Coimbra, organizador do festival e ex-integrante de conjuntos de Londrina. ''Uma tremenda colher de chá'', no dizer de Cláudio, que se estenderia aos músicos da região pela oportunidade de serem ouvidos através da aparelhagem de cinco mil watts de ''Os Mutantes'', liderados por Arnaldo Batista e já sem Rita Lee.
Conforme o texto de Ana Paula Andrade, apresentado em 1995, baseado em reportagens e entrevistas, não havia em Londrina lugar adequado para o show e descobriu-se o Clube Recreativo Cascata, do professor Wilson Dalapria, à margem da BR-369. Associou-se, também, o Festival ao ''Movimento Rock Brasil'', segundo Wilson Vidoto, responsável pela divulgação.
José Horácio Santos Liberati estava com 15 anos; hoje com 52, ele diz que jamais sentirá emoção igual, ainda que a internet permita ''baixar quase tudo''. É que o festival se realizou numa época de menor exposição dos músicos e o disco não era barato. ''A gente brigava para comprar um LP na Londrina Discos, não tinha dinheiro. De repente, aquela banda e eu ali, na frente, vendo.''
Servidor municipal, ele guarda um cartaz e lembra de visitantes nus tomando banho na cascata. Maconha também havia, mas o consumo não extrapolou os limites do parque, nem houve desordens, segundo outro contemporâneo, o historiador Cesar Cortez. E com a presença de famílias da cidade, ''o Festival assumiu um ar tranquilo (...) de quermesse do interior'', segundo um repórter da FOLHA, que não viu tóxicos nem ''licenciosidade''.


