Woddy Allen volta discreto
O cineasta lança sem estardalhaço um semidocumentário sobre a vida de um guitarrista de jazz
ReproduçãoWoody Allen: novo filme faz referências a sucessos como A Bruxa de Blair
Guto Barra
Planet Pop/ AE
Woody Allen explora seu universo mais familiar no 30º filme de sua carreira. O diretor acaba de colocar discretamente nos cinemas norte-americanos Sweet and Lowdown, semidocumentário sobre a trajetória de um guitarrista de jazz dos anos 30 estrelado brilhantemente por Sean Penn. Com produção simples e explorando a técnica de misturar depoimentos com encenações da vida do músico, o cineasta volta às comédias leves do início de sua carreira, exercitando mais uma vez o bom texto e o aproveitamento de um elenco diversificado, que inclui também Uma Thurman, Samantha Morton e John Waters.
Allen aproveitou a idéia do novo filme para fazer referência a fenômenos como A Bruxa de Blair e o esquema de lançamento do disco de Garth Brooks, que foi acompanhado de um documentário fictício para a televisão. Assim, Sweet and Lowdown chegou aos cinemas sem antecipação por parte da imprensa e - coisa rara atualmente - com um website sem nenhuma informação adicional sobre o personagem principal. O filme começa com o diretor dando um depoimento sobre os motivos que o levaram a retratar a vida de Ray Emmett, um guitarrista brilhante, mas convencido de que só ficava para trás do lendário Django Reinhardt, o cigano francês mais conhecido da época.
Ao misturar depoimentos de pessoas conhecidas (críticos e autores de jazz, assim como disk jockeys de rádios) com nomes verídicos, Allen lança a dúvida sobre o personagem de Penn. Como um dos melhores contadores de histórias do cinema, ele também consegue dar um perfil mais do que humano para o músico, revelando o convencimento e a grosseria dele ao longo do filme.
Emmet, que só fala de sua genialidade e conquistas, começa a namorar uma garota muda (Morton, em ótima interpretação) que consegue desconsertá-lo em diversas situações. Allen inclui os detalhes patéticos que são marca registrada de seus personagens, como no trecho em que o músico resolve mandar construir uma lua de madeira que desceria pendurada no palco com ele em cima - terminando, é claro, em desastre.





