'Wish' celebra cem anos da Disney e recicla animações
Independentemente das opiniões, filme é a síntese perfeita do passado, presente e futuro do estúdio norte-americano
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domingo, 07 de janeiro de 2024
Independentemente das opiniões, filme é a síntese perfeita do passado, presente e futuro do estúdio norte-americano
Leonardo Sanchez/ Folhapress 

SÃO PAULO, SP - "Quando se deseja para uma estrela, seus sonhos se tornam realidade." O verso da música que condensava a magia de "Pinóquio" em 1940 ficou tão famoso que acompanhou toda a trajetória da Disney, como se fosse um lema do estúdio de animação.
Cem anos depois de sua inauguração, no entanto, a máxima dá sinais de que lidar com magia não é tão simples assim. Isto é verdade nos bastidores da empresa, que atravessa algumas crises, e, também, na trama de "Wish: O Poder dos Desejos", desenho que marca o seu centenário e que chega aos cinemas brasileiros nesta semana.
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Ambientado na terra fictícia de Rosas, o filme acompanha um carismático rei que protege os desejos de todos os seus súditos - e decide quais se tornarão realidade e quais são, em teoria, perigosos demais para isso. Até que uma perturbação na magia que paira sobre o reino ameaça a estabilidade desse acordo supostamente feliz.
Com uma trama tão ligada ao poder dos desejos, os diretores Chris Buck e Fawn Veerasunthorn - o primeiro dos já clássicos "Tarzan" e "Frozen" - puderam criar um caldeirão com os temas repetidos pelo estúdio ao longo de sua trajetória, reciclando as fórmulas, arquétipos e estéticas que o transformaram num império da animação.
Grande aposta para comemorar seu centenário, "Wish" frustrou a Disney com uma aprovação baixa e bilheteria doméstica amena - apesar de, internacionalmente, ter dado resultados melhores.
Críticos viram no filme certa megalomania e narcisismo, com referências em exagero à própria história do estúdio e "easter eggs" - aqueles pequenos detalhes que passam batido para públicos descompromissados - pouco orgânicos.
Mas estes mesmos pontos vistos como falhas por alguns podem facilmente ser considerados, pelos mais entusiastas, fortalezas.
A autorreferência, num filme que marca os cem anos e que brinca com conceitos onipresentes na filmografia do estúdio responsável por fundar a animação como gênero cinematográfico em Hollywood, hoje sinônimo da máquina que é a indústria cultural americana, parece adequada ao se lançar um olhar menos crítico à obra.
Fato é que "Wish", independentemente das opiniões, é a síntese perfeita do passado, presente e futuro da Disney. O longa viaja para trás principalmente ao se reapropriar de técnicas de animação em 2D, faz um retrato atual ao acenar para uma Hollywood com certo bloqueio criativo e olha para frente ao povoar sua história com personagens de diferentes cores, de ascendência hispânica e com deficiências.
Magnífico, o rei bonitão e tóxico que manda e desmanda nos desejos alheios, é um tipo vilanesco como não se via há tempos nas animações do estúdio, lembrando até a onda de líderes populistas que tomou o mundo em anos recentes.
Ele contrasta com a protagonista Asha, mulher, jovem, questionadora e com uma ascendência que se perde entre a Europa mediterrânea e o norte da África. A voz dele, no inglês original, é de Chris Pine; a dela, de Ariana DeBose.
"Wish" é recheado de músicas no melhor estilo Disney dos anos 1990, seguindo a cartilha que lançou a chamada Renascença Disney, quando longas como "A Bela e a Fera" e "Aladdin" se apropriaram de elementos do teatro musical para repaginar o estúdio.
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