Wim Wenders faz tributo a Pina Bausch
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
Maiara Camargo <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - É dança? É teatro? Ou é simplesmente vida? São esses os questionamentos que apresentam ''Pina'', documentário em 3D do diretor alemão Wim Wenders, conhecido por filmes como ''Asas do Desejo'' (1987) e ''Paris, Texas'' (1984), que chega hoje a Londrina. Indicado ao Oscar 2012 de melhor documentário, ''Pina'' lança um olhar sobre o trabalho da coreógrafa alemã Pina Bausch (que morreu aos 68 anos, em 2009), por intermédio de sua companhia, a Tanztheater Wupperta, que segue na ativa e, inclusive, se apresentou em São Paulo em abril do ano passado.
Um dos grandes nomes da dança do século 20, Pina revolucionou a arte ao levar ao palco o seu teatro-dança, uma forma de dançar que destaca o lado humanístico das coreografias, e aceita toda a sorte de movimentos e gestos. Suas coreografias eram criadas de maneira colaborativa e traziam inspirações das cidades por onde a artista passava. Outro ponto alto nas obras de Pina era o palco, que ganhava elementos externos, como água, terra e pedras gigantescas.
No filme, Wenders abre espaço para que as criações de Pina falem por si. Assim, não espere um documentário repleto de depoimentos. Eles até existem. Mudos em cena, os bailarinos falam, por meio de narração em off, sobre a experiência de atuar ao lado da coreógrafa. No entanto, são frases que não estão ali para explicar tudo. As coreografias é que são as estrelas.
Outro ponto que merece atenção é a utilização da tecnologia 3D em um longa dito de arte, uma vez que a maioria das produções que usam essa técnica até o momento tende a ser obras de aventura e animações, com foco no público mais jovem. Com isso, ao lado de Martin Scorsese, diretor de ''A Invenção de Hugo Cabret'', Wim Wenders se torna um dos primeiros diretores de renome a ir contra o estigma das produções feitas em três dimensões e aproveitar, sem preconceito, o que de interessante a tecnologia pode oferecer.
Sem dúvida, ''Pina'' ganha, e muito, ao dar ao espectador a sensação de transitar dentro das coreografias sem ter de se prender a um único movimento. As câmeras mostram trechos de algumas das obras mais consagradas da coreógrafa, incluindo a versão dela para ''A Sagração da Primavera'', com música de Igor Stravinsky; ''Kontakhof'', peça que trata da relação entre homem e mulher, e leva os bailarinos a um tipo de baile; ''Vollmond'', em que a dança se desenrola em meio a litros e litros de água; e ''Café Muller'', que era encenada pela própria coreógrafa. Vale lembrar que Pina dançou ''Café Muller'' em uma cena do filme ''Fale com Ela'' (2001), de Pedro Almodóvar.
Mas, além dos movimentos no palco, Wenders leva os bailarinos para espaços nas ruas de Wupperta, cidade alemã que sedia a companhia. Estão aí algumas das cenas mais majestosas do documentário. Em uma delas, dois bailarinos dançam enquanto um trem aéreo passa no alto na tela. Noutra, uma bailarina faz movimentos em frente a uma piscina. Na trilha, chama a atenção a inusitada presença de ''O Leãozinho'', de Caetano Veloso.
Em ''Pina'', Wenders surge como o admirador que abre a cortina e deixa seu ídolo entrar. E dançar.


