Depois de passar alguns anos no ostracismo e reclamar de um boicote dos meios de comunicação ao seu trabalho, Wilson Simonal está de volta ao cenário musical com o disco independente Bem Brasil. Com um repertório para lá de eclético, que reúne as clássicas ‘‘Only You’’, ‘‘Garota de Ipanema’’ até o rock ‘‘Let’s Twist Again’’, o cantor carioca ainda espera voltar a ser respeitado como na década de 70, em que lotava ginásios e carregava a fama de malandro bem-sucedido. ‘‘Não me considero injustiçado, passei pelos mesmos problemas de vários artistas brasileiros’’, diz Simonal, que não aguenta mais falar de sua ligação com o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) durante a ditadura militar.
‘‘A imprensa é covarde, eles mentiram e até hoje não me pediram desculpas’’, desabafa o músico, que foi acusado de delator na época. Mas tudo isso faz parte do passado na vida de Simonal. Hoje em dia, ele só quer divulgar o seu trabalho em paz. ‘‘Se levasse a sério todos esses problemas hoje eu estaria louco’’.
Simonal confessa que escolheu, a pedido da gravadora, um repertório bem conhecido para o novo álbum. Aproveitou o fato de a Jovem Guarda voltar a fazer um relativo sucesso no País para gravar um pot-pourri com ‘‘O Calhambeque‘‘, ‘‘O Carango’’, ‘‘Carro Vermelho’’ e ‘‘Let’s Twist Again’’, que entraram na segunda faixa do CD (Anos Dourados) junto com o ‘‘Las Secretárias’’ e ‘‘Only You’’. ‘‘Tenho de me adaptar às necessidades do mercado’’.
Homenagem Segundo Simonal, Bem Brasil procurou homenagear todos os Estados brasileiros. ‘‘Tanto Sol Sobre a Bahia’’, de Oliveira Neves, faz referência à Bahia. O refrão: (Tanto sol sobre a Bahia/ Tanta luz no meu coração/ E essa morena mexendo/ Com a minha imaginação). As homenagens seguem com São Paulo, ‘‘Meu Paraíso, Minha Consolação’’ (também de Oliveira Neves), ‘‘Ir Embora pra Qu꒒ (que fala do amor dos mineiros pela sua terra), ‘‘Minha Alma Potiguar’’, ‘‘Rio Antigo’’ e ‘‘Santa Catarina, Alles Blau’’.
Para o cantor, o nível da música popular brasileira caiu muito nos últimos anos. ‘‘Não é culpa do artista e sim dos produtores’’, assegura Simonal, que cita o paraibano Chico César como um bom exemplo dessa queda. ‘‘Tenho certeza que ele tem coisas melhores para mostrar, mas está preso ao sistema’’. Na sua opinião, os meios de comunicação também são culpados. ‘‘A gente só ouve pagode nas rádios, dificilmente você escuta um Chico Buarque, um Edu Lobo, uma Alcione’’.
Simonal pretende, este ano, investir no mercado internacional. ‘‘Minhas músicas são ricas em harmonia, por isso faço sucesso no Exterior’’.

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