Wilson Bueno fez de 'Mano, a Noite Está Velha' a sua obra com mais elementos autobiográficos
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
Redação FolhaWeb 
Alguns meses antes de ser assassinado, em 31 de maio de 2010, aos 61 anos de idade, Wilson Bueno entregou à editora Planeta os originais de seu novo livro, ''Mano, a Noite Está Velha''. Pelas mãos da fatalidade do destino, a tragédia daquele último dia de maio, ocorrida dois anos atrás, estava latente nas páginas do romance que o escritor paranaense acabara de concluir.
O sentimento de morte é uma constante em ''Mano, a Noite Está Velha'', lançado postumamente pela Planeta no final de 2011 e agraciado recentemente com o prêmio da APCA (Associação Paulista dos Crítico de Arte) de melhor romance do ano. Não se trata de considerar a morte como previsão do destino, mas como algo que se torna cada vez mais palpável quando a idade de um homem avança.
Com quase duas dezenas de livros publicados, Wilson Bueno fez de ''Mano, a Noite Está Velha'' sua obra mais inundada de elementos autobiográficos. O narrador é um sujeito aspirante a poeta que acaba de se tornar sexagenário. Recém aposentado, passa as madrugadas escrevendo uma longa carta para o único irmão. Detalhe: o irmão já morreu. Assim como os pais.
O relato do narrador é um mergulho na memória e, ao mesmo tempo, uma espécie de acerto de contas com o passado. Somente em sua solidão familiar, após o falecimento dos avós, do pai, da mãe e do único irmão, o personagem consegue repassar e repensar sua relação com cada um deles. Não se trata apenas de memória, mas de uma nova memória: ''Agora sim eu posso inventá-los à vontade''.
Leia mais na resenha de Marcos Losnak.


