Wilson Bueno
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 1998
Augusto dos Anjos 
Imaginas tragédias onde principalmente posamos - o nariz entupido de algodão. Suspeitos como os afogados; magros como os todo curvos. Uma mira precária e lúgubre - sempre de luto, entre a morte e a luz. Viver então é este silêncio que os teus dentes rilham. Esvoaças a capa preta; vais, poeta, por síndromes, atalhos, cuspes, pontes, suicídios, safenas, a linguagem IML da nossa barriga exposta, vertida do latim e do grego ao funéreo lusitano. O mórbido e o cinza - o nenhum azul da nossa miséria. A mesma mão que afaga, a mesma que apedreja.
Tomás António Gonzaga


