Wilmar Klein
Qual o pior filme de todos os tempos? A mídia (um pouco por preguiça de pensar mais sobre o assunto) costumam repetir que é Plan 9 from Outer Space (1959) e que seu diretor, Edward D. Wood, Jr., é o cineasta mais vagabundo que jamais existiu. Tais opiniões ganharam força e divulgação na década de 80 (não lembro o ano exato), quando Plan 9... o Golden Turkey, espécie de Oscar inventado por críticos nova-iorquinos e destinado a premiar o filme que servisse como resposta à pergunta acima.
De fato, este sci-fi sobre alienígenas que, para dominar a Terra, paralisam os vivos e ressuscitam os mortos (conforme o cartaz promocional) é precaríssimo, inepto e, por isso mesmo, involuntariamente risível. Wood inicialmente o concebeu como um filme de vampiro estrelado por um Bela Lugosi decadente, com uma dependência crônica de álcool e morfina. Lugosi morreu subitamente, no início das filmagens, e o diretor mudou todo o roteiro, aproveitando, no entanto, as poucas cenas rodadas com o velho ator e, no resto da fita, substituindo-o por um dublê (se é que se pode chamar de dublê um sujeito bem mais jovem, de físico completamente diferente do de Lugosi e que passa o tempo todo ocultando o rosto com a capa). Também elenco, o corpulento Tor Johnson, uma apresentadora de filmes de horror da TV (Vampira, pseudônimo de Maila Murni), um místico de araque (Criswell) e outros canastrões.
O filme tem todos os defeitos dos B-movies (já definidos por alguém como aqueles em que, quando um personagem bate uma porta, o cenário interio treme) e outros mais. Os discos voadores são ridículas miniaturas de plásticos, atores lançam sombras contra um céu pintado em papelão e há erros de continuidade incríveis (um carro de polícia perde inexplicavelmente a cauda; em cenas que se passam durante o dia, de repente é entardecer ou mesmo noite, etc.). Ainda assim, vale lembrar um comentário do ótimo Martin Landau, da época em que interpretou Lugosi na cinebiografia Ed Wood, de Tim Burton: após assistir em vídeo a vários filmes em que Bela atuou nos anos 50, para dar mais credibilidade ao seu papel (que acabou lhe rendendo um merecido Oscar), Landau disse que, comparando com eles - e citou como exemplo Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla (1952), de William Beaudine -, Plano 9 ... parecia E o Vento Levou. Há um pouco de exagero na declaração, mas de qualquer modo, chama a atenção para o fato de que, em matéria de ruindade, nunca faltaram fortes concorrentes ao posto ocupado pelo filme de Wood. Eis alguns dos quais me lembro no momento: explotations sobre drogas como Reefer Madness (1936) e Weird World of LSD (1967), tão paranóicos e desinformados que hoje em dia só resta vê-los como comédias: filmes japoneses de monstros dirigidos nos anos 60 por Ishiro Honda (p.ex., A Vingança de Godzilla e Guerra dos Gargântuas); sci-fis como Mesa of Lost Women (1952), Invasion of the Saucer Men (1957, de Edward L. Cahn) e Papai Noel Conquista os Marcianos (Santa Claus Conquers the Martians, 1964, em que o bom velhinho é sequestrado pelos alienígenas); os filmes das séries de Hércules, Maciste, Sansão, Golias, Ursus; comédias de horror americanas como Zombies on Broadway (1945), de Gordon Douglas; e, principalmente, filmes mexicanos como El Castillo de los Monstruos (1957) - com o medíocre comediante Clavillazo (uma espécie de Chaves da época) -, La Nave de los Monstruos (1959) - com Lallo Gonzalez Piporro -, La Momia contra el Robot Humano (também 59), El Baron del Terror (1961, de Chano Urueta) e, é claro, toda a série estrelada pelo lutador Santo (Santo contra os Homens Infernais, ... contra os Zumbis, ... contra as Mulheres-Vampiro, ... contra o Barão Brácula - com B mesmo, e promovido a barão -, ... contra Blue Demon na Atlântica, ... contra as Bruxas, ... contra os Profanadores de Tumbas, etc).
Uma sugestão: por que você também não faz uma lista dos piores filmes que já viu e envia para mim? O endereço para correspondência é: Rua Alberto Folloni, 1473 - Curitiba - CEP 80540-000. Dentro de uns dois meses, mais ou menos, prometo publicar aqui o resultado da votação.





