Não houvesse tanta poesia ruim em circulação e - o que é mais grave - incensada pela hegemônica mediocridade local, eu hesitaria muito e acabaria desistindo de mostrar os meus precários esforços nesse setor, até porque, ao menos, costumo ler coisa que preste e sei muito bem quanto os meus versos, irregulares, são pobres em comparação (contrariamente, uns 99% dos poetas curitibanos - gente que encontro nos botequins da moda, escrevendo ‘‘pérolas’’ parnasianas para meia-dúzia de gatos-pingados que tem assento em alguma lamentável agremiação literária - fazem jus à afirmação de Marcial de que não existe ninguém mais cheio de si do que um mau poeta). Corro, portanto, o risco de ser incluído entre aqueles que critico, mas, estejam certos, tem por aí coisa muito pior.
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