Arquivo FolhaO ‘‘palavrão’’ acima designa a maior flor do planeta - e também uma das mais raras, pois floresce apenas de quatro em quatro anos, vivendo somente por uns poucos dias. Na foto que tenho à minha frente, ela aparece no interior de um cercado em um jardim botânico da ilha de Java, ante os olhares de algumas dezenas de curiosos. Pelos meus cálculos, deve ter a altura de duas pessoas adultas, uma de pé sobre os ombros da outra, e para circundá-la suponho que sejam necessários três ou quatro sujeitos de mãos dadas e braços esticados.
Quanto à forma, a Amorphophallus faz lembrar um antúrio, porém ainda mais ‘‘kitsch’’. Compõem-na uma espécie de cálice estriado de bordas reviradas cujo exterior é amarelo e o interior e as bordas de um tom desagradável de vermelho; de seu interior emerge um enorme ‘‘phallus’’ de cor creme, que se vai afilando e é um tanto torto. O aspecto é de coisa artificial, feita de matéria plástica. A natureza, pródiga em maravilhas, às vezes é também muito brega, e, como se isso não bastasse, ainda fez a titanus - que é flor carnívora, devorando os insetos que ficam presos em suas bordas pegajosas - extremamente malcheirosa. Segundo testemunhas, o seu odor é de um rato podre ou, conforme asseveram olfatos mais apurados, ‘‘uma mistura de peixe estragado com açúcar queimado’’.
II
O Coreano Voador

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