WILMAR KLEIN
Quais os monstros mais populares da história do cinema? Basta formular esta pergunta para que, imediatamente, nos venham à mente as imagens de Frankenstein ou melhor, da criatura produzida pelo doutor Victor Frankenstein em seu laboratório, celebrizada na tela por Boris Karloff e do conde Drácula que teve como intérpretes mais marcantes o assustador Max Schreck (no clássico do expressionismo alemão Nosferatu, de 1922, dirigido por Friedrich Wilhelm Murmau, que mudou o nome dos personagens do romance de Bram Stoker para não pagar direitos autorais), Bela Lugosi e Christopher Lee. Pois bem... Drácula e Frankenstein são os destaques da pequena mas significativa mostra Terror no Estúdio, dedicada aos clássicos de horror da Universal, que o canal pago Telecine 5 exibe entre amanhã e a próxima sexta-feira, sempre às 22 horas.
Confira os títulos e as datas:
-- Amanhã, Terror Universal (Universal Horror, 1998). Documentário assinado por Kevin Brownlow, conta a história da Universal Pictures (fundada em 1912 por Carl Laemmle, vendida em 1962 para a MCA, que em 1990 vendeu-a ao grupo japonês Matsushita) e enfoca as obras-primas do horror que o estúdio produziu em seus anos dourados (décadas de 30 e 40).
-- Terça-feira (dia 6), Drácula (Dracula, 1931), de Tod Browning, com Bela Lugosi, Edward Van Sloan, Dwight Frye e Helen Chandler nos principais papéis. Baseado não no romance do irlandês Bram Stoker, mas numa adaptação teatral do livro, escrita pelo inglês Hamilton Deane e o norte-americano John L. Balderston, o filme seria estrelado pelo veterano Lon Chaney. Com a morte do ator, ocorrida durante as filmagens de London After Midnight, pouco tempo antes de Drácula começar a ser rodado, a opção para o papel do Conde foi o húngaro Bela Lugosi, que havia interpretado o personagem na Broadway. Apesar do ritmo um tanto lento, dos diálogos longos e da direção realista de Browning (que manteve a teatralidade do texto e exceto pela utilização de um trecho de O Lago dos Cisnes na abertura dispensou trilha sonora), o filme foi, na época do seu lançamento, um grande êxito de bilheteria. Merece ser (re) visto principalmente pela atuação carismática de Lugosi, que conferiu ao vampiro uma aura de charme e elegância à qual doravante passaria a ser associado.
-- Quarta-feira (dia 7), Frankenstein (idem, 1931), de James Whale (cinebiografado no sensível Deuses e Monstros/1998, de Bill Condon, disponível nas locadoras de vídeo), com Colin Clive, Mae Clarke e Boris Karloff nos papéis centrais. Animados pelo sucesso comercial de Drácula, os estúdios Universal resolveram produzir uma versão sonora de Frankenstein (cuja história baseada no romance de Mary Shelley, escrito no século passado já merecera três versões no cinema mudo, a primeira delas em 1910, dirigida por J. Searle Dawley e produzida pela companhia de Thomas Edison). Para o principal papel foi escalado Bela Lugosi e para a direção, Robert Florey (Os Assassinatos da Rua Morgue, Os Dedos da Morte). As filmagens foram iniciadas, porém o resultado não agradou à Universal, que convocou Whale para a direção e Karloff para o papel do monstro. Whale, cineasta que (ao contrário de Florey) tinha pouca afinidade com o realismo, deu ao filme uma atmosfera sombria e estilizada, quase expressionista que em muito o valoriza esteticamente. A destacar também a notável maquiagem criada por Jack B. Pierce para a criatura vivida por Karloff. Um filme envolvente, no qual horror, tragédia e uma boa dose de lirismo combinam-se à perfeição, tenho dado origem a várias continuações, dentre as quais a melhor é A Noiva de Frankenstein (Bride of Frankenstein, 1935), estrelada por Karloff e novamente dirigida por Whale.
-- Quinta-feira (dia 8),O Homem Invisível. Filme um tanto deslocado nesta pequena seleção de clássicos de horror por encaixar-se melhor no gênero ficção científica (no entanto, por ser ainda a mais competente das versões da famosa história escrita por H.G.Wells, merece atenção).
-- Sexta-feira (dia 9), Lobisomem (Wolf Man, 1941), de George Waggner, com Claude Rains, Maria Ouspenskaya, Ralph Bellamy e Bela Lugosi. Depois de Drácula e Frankenstein, talvez o monstro mais lembrado da história da sétima arte, o lobisomem nunca desfrutou do prestígio de uma origem literária e, no mais das vezes, foi objeto de produções B pouco memoráveis. O lobisomem de Waggner, entretanto, é uma referência obrigatória no subgênero licantropia, mesmo sem contar com os recursos técnicos que permitiram a Um Lobisomem Americano em Londres (1981), de John Landis, e O Lobo (1994), de Mike Nichols exemplos mais recentes transformações mais convincentes.





