Nascido em Roma há 71 anos, Ennio Morricone tem assegurado o seu lugar na história da música como um dos mais prolíficos compositores do século 20. Autor de mais de 300 trilhas sonoras para cinema, criadas a partir de 1961 – quando assinou a soundtrack de ‘‘O Fascista’’ (‘‘Il Federale’’), filme dirigido por Luciano Salce –, Morricone começou a compor já aos seis anos de idade (precocidade favorecida pelo ambiente musical em que foi criado, proporcionado pelo pai, trompetista de renome) e foi aluno brilhante do célebre conservatório de Santa Cecilia. Influenciado pelo modernista Goffredo Petrassi, na juventude ‘‘flertou’’ com a vanguarda erudita, conforme dão testemunho obras como o ‘‘Concerto para Orquestra’’ e ‘‘Da Molto Lontano’’, ciclo de canções composto a partir de poemas de Pier Paolo Pasolini. Entretanto, no cinema – salvo em umas poucas ocasiões (como na trilha de ‘‘Teorema’’, de Pasolini) –, deixou de lado o experimentalismo em favor da funcionalidade – ou seja, da adequação da música às imagens, aos diálogos, efeitos especiais e características dos personagens. Tal procedimento em nada desmerece, antes enfatiza a eficiência de trilhas que compôs para os spaghetti-westerns de Sergio Leone. (‘‘Por um Punhado de Dólares’’, ‘‘Três Homens em Conflito’’, ‘‘Por Alguns Dólares a Mais’’, ‘‘Era Uma Vez no Oeste’’), Duccio Tessari, Damiano Damiani, Sergio Carbucci, Sergio Sollima; filmes de terror e suspense de Dario Argento; Lucio Fulci, Alberto De Martino; Dramas de Pasolini, Bernardo Bertolucci, Paolo e Vittorio Taviani; comédias, policiais, épicos, filmes de aventura, de guerra, de ficção científica... Um compositor extremamente versátil e eclético, capaz de escrever trilhas para qualquer gênero e incorporar várias tradições musicais (clássica, étnica, jazzística, entre outras), tem sido, nos últimos anos – a exemplo do que ocorreu com o rei do easy listening Burt Bacharach, do francês Serge Gainsbourgh e do cantor brega inglês Tom Jones – objeto de uma reavaliação que o ‘‘promoveu’’ de ‘‘operário’’ das soundtracks a compositor cult, citado como influência por músicos jovens que, em sua maioria, nem haviam nascido quando ele começou a compor para cinema. Em decorrência dessa ‘‘redescoberta’’, é grande o volume de álbuns com trilhas de Morricone que, mensalmente, chegam às lojas de discos européias e norte-americanas.

mockup