WILMAR KLEIN
Diretor de clássicos como No Tempo das Diligências(Stagecoach, 1939), Paixão dos Fortes(My Darling Clementine, 1496) e Rastros de Ódio(The Searchers, 1956) títulos de inclusão obrigatória nas primeiras posições de qualquer lista dos melhores westerns de todos os tempos , John Ford (1894-1973) começou sua carreira cinematográfica em 1914, como ator num filme mudo de dois rolos, The Mysterious Hand, produzido para a Universal e dirigido e estrelado por seu irmão mais velho Francis Ford. Com o nome artístico Jack Ford (seu nome de batismo era John Martin Feeney), atuou em outros nove filmes e três seriados dirigidos por Francis (nascido Frank T. Feeney, em 1881) até iniciar-se na direção em 1917, em O Furacão (The Tornado). Entre este e seu último trabalho, Sete Mulheres(Seven Women), de 1965, Jonh Ford (nome que adotou em 1923), dirigiu 133 filmes muitos dos quais, mesmo sem atingir a dimensão dos clássicos, possuem qualidades suficientes para que se lamente o fato de, com o tempo, terem sido esquecidos. É o caso, por exemplo, de O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões (The Prisioner of Shark Island), que o canal pago Telecine 5 exibe hoje, às 22 horas, dentro da mostra Raridades de John Ford.
Realizado em 1936 para a 20 th Century Fox, Prisioneiro... é um drama em preto & branco, com 95 minutos de duração, que conta a história do Dr. Samuel Mudd, médico que foi preso e acusado de conspiração por haver tratado o assassino do presidente Lincoln. Nos principais papéis, Warner Baxter, Gloria Stuart, Harry Carey e John Carradine. A inclusão de Carey no elenco é particularmente significativa. Ford que, entre 1917 e 1921, o dirigiu em 29 filmes tinha pelo ator uma profunda e sincera admiração: Aprendi muita coisa com Harry Carey, declarou certa vez. Era um ator admirável, de movimentos lentos, quando estava a pé. Podia-se ler seus pensamentos, entrar pelos seus olhos e vê-lo pensar. O segredo para se fazer um filme é a aparência da pessoa, sua expressão, seus movimentos. Carey interpretou o personagem Robert Hightower nas duas primeiras versões cinematográficas de Three Godfathers: Os Três Padrinhos (1916), de Edward J. Le Saint, e Homens Marcados (1920), de Ford. Quando em 1948 Ford refilmou a história (escrita por Peter B. Kyne), no ótimo O Céu Mandou Alguém, dedicou-o ao velho amigo, já falecido: À memória de Harry Carey, o mais brilhante astro dos céus do Oeste no passado.
-- Amanhã, no mesmo horário, o Telecine 5 apresenta A Queridinha do Vovô (Wee Willie Winkle), que John Ford realizou em 1937 como veículo para a atriz infantil Shirley Temple. Também no elenco Victor McLaglen, C. Aubrey Smith, June Lang, Michael Whalen e Cesar Romero. O filme está bem aquém do melhor de Ford; mesmo assim, é o melhor e mais simpático filme de Shirley Temple.
- - - Lustmord
Relançados nos EUA, pelo selo e distribuidora Soleilmoon, os CDs Monstrous Soul e Purifying Fire, da banda inglesa Lustmord (na prática, Brian Lustmord mais um ou outro músico que ele convoca para as suas gravações). No gênero dark ambient (modalidade sombria de música eletrônica, lenta, muito climática e nem um pouco dançante), dois itens indispensáveis, para ouvir com a luz apagada.
A conferir também o álbum Ilium, do duo norte-americano (do estado de Virginia) Telegraph Melts, formado pelo guitarrista Bob Massey e a ótima violoncelista Amy Domingues. Composições refinadas e de difícil classificação, com traços de vanguarda erudita, post-rock, improvisação jazzística e música de câmara de molde clássico. Se você já ouviu algum dos discos da banda Rachels e gostou, pode incluir sem erro o Telegraph Melts em seu cardápio musical.





