Wilmar Klein





OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA
Agora em carne e osso, Asterix e Obelix chegam às telas do Brasil nestas férias
Arquivo FolhaO desenhista Albert Uderzo estreou os quadrinhos de Asterix e Obelix em 1959No ano 50 a.C., toda a Gália (atual França) estava ocupada e subjugada pelos exércitos de Júlio César, que, a propósito dessa vitória sobre os povos bárbaros da região, escreveu uma daquelas obras-primas da literatura que hoje em dia ninguém mais lê, o ‘‘De Bello Gallico’’.
Mas espere ... eu disse toda a Gália? Bem ... toda ela, exceto um vilarejo de irredutíveis gauleses, que, movidos por uma beberagem mágica preparada por um druida, põem para correr as tropas romanas que pretendem dominar o lugar. À frente da resistência, o baixinho Asterix e o grandalhão Obelix (o único da aldeia que não precisa beber a poção mágica, pois caiu num caldeirão cheio dela quando era criança, adquirindo para o resto da vida uma força descomunal).
Uma carreira bem-sucedida
Criada por René Goscinny (escritor) e Albert Uderzo (desenhista), a dupla de heróis estreou na publicação de histórias em quadrinhos ‘‘Pilote’’ em 29 de outubro de 1959, com a história (editada em episódios) ‘‘Astérix le Gaulois’’ (‘‘Asterix, o Gaulês’’). Vieram depois ‘‘La Serpe d’ Or’’ (‘‘A Serpente de Ouro’’), em 1960, e, em 1961, ‘‘Astérix chez les Goths’’ (‘‘Asterix entre os Godos’’). Também em 61, ‘‘Astérix le Gaulois’’ aparece nas livrarias francesas sob a forma de um álbum com tiragem inicial de 6 mil exemplares. Três anos depois, o quarto álbum do personagem, ‘‘Astérix et le Gladiateur’’ (‘‘Asterix e o Gladiador’’) é lançado com uma tiragem de 50 mil exemplares que sinaliza o crescente sucesso da HQ. ‘‘Pilote’’ adota o subtítulo ‘‘Le journal d’Astérix et Obélix’’ e, em 19 de setembro de 1966, o baixinho gaulês ganha a capa de ‘‘L’Express’’, com a manchete ‘‘A nova coqueluche da França’’. Daí para o cinema, foi um passo rápido e inevitável.
Em dezembro de 1967 – impulsionado pelo êxito dos álbuns (que já haviam ultrapassado a marca de 1 milhão de exemplares vendidos) – é lançado nas telas francesas o primeiro desenho animado de Asterix, ‘‘Asterix, o Gaulês’’. Em 1976 – dois anos após a criação do estúdio de animação Idéfix (voltado exclusivamente aos personagens criados por Goscinny e Uderzo) – aparece o segundo desenho, ‘‘Les Deux Travaux d’ Astérix’’ (‘‘Os Doze Trabalhos de Asterix’’). No mesmo ano, sai o álbum ‘‘Obélix et Compagnie’’ (‘‘Obelix e Companhia’’), com a impressionante tiragem inicial de 1.300.000 exemplares.
Em 6 de novembro de 1977 morre René Goscinny. Somente em 1979 o 24º e último álbum escrito por ele, ‘‘Astérix chez les Belges’’ (‘‘Asterix entre os Belgas’’), é editado, vendendo 10 milhões de exemplares em seis meses! Em junho de 1980 aparece ‘‘Le Grand Foss钒, o primeiro Asterix inteiramente produzido por Uderzo. Outros cinco seriam lançados até 1996, ano em que o museu nacional francês de Artes e Tradições Populares organizou a mega-exposição ‘‘Asterix. Um Mito Contemporâneo’’.
Asterix e Obelix contra César
Adaptação bastante fiel da história (que chegou a ser publicada no Brasil) ‘‘Asterix e a Surpresa de César’’ – transformada em desenho animado (‘‘La Surprise de César’’) realizado em 1985 por Paul e GaStan Brizzi nos estúdios Astérix da Gaumont – , ‘‘Asterix & Obelix Contra César’’ (‘‘Astérix et Obélix contre César’’), a primeira adaptação de uma aventura do personagem interpretada por atores, começou a ser rodado no dia 26 de junho de 1998 e entrou em cartaz nas salas de exibição francesas em 3 de fevereiro de 99. Agora, quase um ano depois, chega às telas brasileiras (a data de estréia mais provável é 21 de janeiro). Trata-se de uma superprodução franco-ítalo-germânica, dirigida pelo veterano Glaude Zidi. À frente do elenco, Christian Clavier (como Asterix) e Gérard Depardieu (como Obelix). Segundo a crítica européia, Depardieu rouba a maioria das cenas em que atua com Clavier, que não teria rendido em seu papel tudo o que dele se esperava. Bastante elogiadas as interpretações do italiano Roberto Benigni (na pele do governador romano Lucius Detritus) e do alemão Gottfried John (o general Ourumov de ‘‘007 Contra Goldeneye’’, que interpreta o imperador Júlio César).
Como convém a uma superprodução – e tanto mais à adaptação de uma história desenhada por Uderzo (artista extremamente detalhista) – , os cenários e os figurinos são muito bem cuidados. Com essas credenciais, mais o bom elenco (ressalvada a atuação algo apagada de Christian Clavier) e a direção segura de Zidi (um cineasta que, sem ser particularmente brilhante, é sempre eficiente), ‘‘Asterix & Obelix Contra César’’ é um filme que merece ser conferido.

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