Wilmar Klein




ReproduçãoCaptain Beefheart: mistura de blues e psicodeliaLendas do rock1) Lançado na Inglaterra o LP duplo ‘‘Opel’’, de Syd Barrett. Nunca é demais lembrar que Barrett foi o fundador e líder do Pink Floyd. Compositor brilhante e inventivo, enlouqueceu, por conta de muito ácido e outras drogas, logo após o lançamento do primeiro (e excelente) álbum da banda, ‘‘The Piper at Gates of Dawn’’. Num dos shows, apareceu com a cabeça coberta por uma pasta de Mandrix (se não me engano, era este o nome da droga) e insistiu em tocar o tempo todo apenas uma nota na guitarra. Seus companheiros decidiram que era a hora de afastá-lo dos palcos e da banda. Mesmo assim, alguns anos depois – já na década de 70 –, decidiram dar-lhe uma força. Levaram Syd para um estúdio, onde, em longas e difíceis sessões, extraíram dele o último fôlego de criatividade. O resultado foram dois LPs, um dos quais – ‘‘The Madcup Laughs’’ (onde Syd, entre outras coisas, colocou música numa passagem do ‘‘Finnegans Wake’’, do irlandês James Joyce) – chegou a ser editado no Brasil. ‘‘Opel’’ é uma compilação de faixas inéditas ou raras gravadas nessa época. O álbum custa na Rough Trade, de Londres, 19,99 libras e pode ser encomendado por meio do site da loja (www.roughtrade.com). Chega ao Brasil, um mês após o pedido, por algo em torno de R$ 72 (frete incluído). É caro, mas acredite: mesmo louco, Barrett era capaz de produzir coisas bem melhores do que os trabalhos lúcidos dos seus parceiros do Floyd. (Em tempo: o diagnóstico de Syd, fornecido por alguns dos maiores psiquiatras do mundo, foi de loucura irreversível. A última notícia que tive dele dizia que estava vivendo isolado e cercado por dezenas de guitarras. Nem todo mundo precisa morrer para tornar-se lenda...)
2) Don Van Vliet (nascido em Glendale, subúrbio de Los Angeles, em 1941), ou, como é mais conhecido, Captain Beefheart. Juntando blues e psicodelia, criou em 1964 um dos mais vigorosos e criativos grupos daquela década, Captain Beefheart and The Magic Band, responsável por álbuns antológicos como ‘‘Safe as Milk’’, ‘‘Mirror Man’’, ‘‘Trout Mask Replica’’, ‘‘Lick My Decals Off, Baby’’ e ‘‘Strictly Personal’’, agora relançado em LP na Grã-Bratanha. Gravado em 1968, seis meses depois de ‘‘Mirror Man’’, serve como uma ótima introdução à obra de Van Vliet, que, juntamente com Frank Zappa (de cujos discos participou em algumas ocasiões), mudou a cara do rock nos longínquos 60’s.
3) Redescobriram Burt Bacharach, Serge Gainsborugh, Jane Birkin; era inevitável que redescobrissem o francês Michel Polnareff, ícone do pop brega na época em que, aqui no Brasil, Roberto e Erasmo, Jerry Adriani e Wanderley Carodoso eram a Jovem Guarda. E se você, como eu, é um quarentão de boa memória, por certo vai lembrar de ‘‘Love Me, Please Love Me’’, um dos ‘‘greatest hits’’ de Polnareff (bem... a minha memória nem sempre é tão boa, mas eu tenho a impressão de que até o Agnaldo Timóteo gravou uma versão desta música). Elevado à categoria de cult, o cantor (que adotava um visual espalhafatoso, do tipo hippongo) ganha agora uma reedição de seus ‘‘clássicos’’, em CD. Os títulos são ‘‘Le Bal des Laze’’, ‘‘Love Me, Please Love Me’’, ‘‘Polnareff’’ e a antologia (em 3 CDs) ‘‘Les Premieres Anée’’. Para quem se diverte com rockzinhos kitsch e interpretações exageradas, uma festa.
Argento
No canal pago Telecine 2, às 21h15 desta quinta-feira, uma reprise que sempre vale a pena: ‘‘Síndrome de Stendhal’’, um dos bons filmes que o mestre italiano do horror e suspense Dario Argento dirigiu nestes anos 90. Na história, uma policial caça um estuprador, que, ao descobrir que ela sofre da tal síndrome, prepara para ela uma armadilha dentro de um museu. (Síndrome de Stendhal é o nome de uma doença psicossomática que provoca alucinações em pessoas extremamente sensíveis quando em contato com grandes obras de arte. O nome remete ao escritor francês Stendhal, que passou mal na Itália quando deparou-se com as obras-primas do Renascimento.)
Lino’s
Para rebater a ressaca natalina, tem show de rock no Lino’s Bar (rua Augusto Stellfeld, esquina com Alameda Cabral, em Curitiba), no próximo domingo, a partir das 17h. Entre as bandas que estarão tocando, destaco Os Limbonautas, que já fez ótimos shows no tradicional boteco e está lançando um clipe com as participações especiais de Antonio José Lino, o proprietário da casa, e seu ‘‘fiel escudeiro’’, o desenhista ‘‘Marião’’. Como sempre, a entrada é
franca.
Excepcionalmente hoje publicamos a coluna de Wilmar Klein na página

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