Wilmar Klein
Que história é essa de virada do milênio?
Arquivo FolhaChampanhe para comemorar o século 21, só em 1º de janeiro de 2001O assunto nem caberia aqui, não fosse o equívoco repetido e disseminado por artistas, emissoras de televisão, de ráádio, revistas, jornais e também pela Internet. De uma vez por todas: não vai haver novo milênio algum a partir da zero hora do ano 2000. O século XXI e, consequentemente, o III Milênio só começam no dia 1º de janeiro de 2001. Se quiserem, podem pôr a culpa nos antigos romanos, que não conheciam essa maravilhosa invenção árabeá, o zero, e, portanto, desde o primeiro momento, contaram os anos da nossa era a partir do 1 (I). Mas, mesmo que começassem do 0, não seria diferente: um século, obviamente, é um conjunto de 100 anos cujo nome deriva do último; assim, o século XX começou no dia 1º de janeiro de 1901 e não no dia 1º de janeiro de 1900 (que foi oúúltimo ano do século XIX) e só vai acabar mesmo no dia 31 de dezembro do ano 2000.
Não pense, porém, que esse tipo de erro só é cometido no Brasil, pois também láá fora ele se repete. Um exemplo: em Nantes, na França, aconteceráá de 1º a 3 de janeiro do próximo ano uma megafesta patrocinada pelo CRDC (o Ministério da Cultura daquele país), que a vem divulgando internacionalmente sob o nome Turn of the Century (ou seja, Virada do Século). Apesar disso, tem tudo para ser bacana, com a participação de músicos de toda a Europa (boa parte deles ligada à cena eletrônica). Richard H. Kirk, ex-integrante do legendáário trio (depois duo) Cabaret Voltaire, estáe até escrevendo três novas e extensas composições para o evento, que seriam interpretadas por ele, seu parceiro (no Pressure Company) Eric Random e a cantora Seema.
- - - Reedições
Esta é para os fãs do Depeche Mode (entre os quais não me incluo): foram relançados pela Mute inglesa nada menos do que 18 EPs da banda, divididos em três caixas, cada uma com seis discos. A Singles Box 1 traz os EPs Dreaming of Me, New Life, Just Cant Get Enough, See You, Meaning of Love e Leave in Silence. Get the Balance Right, Everything Counts, Love in Itself, People are People, Master & Servant e Blasphemous Rumours estão em Singles Box 2. Em Singles Box 3, Shake the Disease, Its Called a Heart, Stripped, A Question of Lust, A Question of Time e Little 15. Para mais informações, sugiro uma visita ao site da Mute: http: //www.mutelibtech.com/mute.
- - - Mucho loco
O disco é ruim, mas é bom. Explico: hip hop nunca foi (e nunca vai ser) a minha praia, mas dentro do gênero, até que o pessoal do Cypress Hill é competente. E se o que faltava era ser divertido, agora não falta mais nada: o grupo baseado em Los Angeles (e baseado nos dois sentidos, pois é notório apologista da diamba, ganja, Kaya, bengue, erva... você sabe) acaba de ter seu áálbum Os Grandes Exitos en Español" lançado no Brasil pela Sony. Nele, ladainhas que se tornaram hits do CP como I Wanna Get High e Insane in the Brain viram coisas involuntariamente hiláárias (com sabor terceiro-mundista) como Yo Quiero Fumar e Loco en el Coco, respectivamente. Mais engraçado, só Cheech & Chong...
- - - Vídeo e singles
Duo eletrônico francês com um pé no lounge, o Air costuma ser convincente nos seus shows. Prova disso é o documentáário Eating, Sleeping, Waiting and Playing, que traz registros da turnê realizada no ano passado e acaba de ser lançado nos EUA (pelo selo Astralwerks) nos formatos DVD e VHS. O DVD inclui material-bônus. Também do Air, saiu recentemente o CD Premiers Symptomes, compilação do selo Source que reúne os singles originalmente editados entre 95 e 98. Agradáável.
P.S.: As três últimas notas são para quem acha que eu só escrevo sobre bandas experimentais que ninguém conhece. Cypress Hill e Air que o digam os habitués da Emetevê jáá viraram carne de vaca também por aqui. E o Depeche Mode, quem não conhece?)
E-mail: [email protected]





