Wilmar Klein
Minus Habens: a casa da eletrônica sombria
ReproduçãoDiscos da Minus Habens podem ser adquiridos via InternetUma das gravadoras independentes mais interessantes da Europa não é inglesa nem alemã ou belga, mas italiana: a Minus Habens, da cidade de Bari (via Giustino Fortunato 8/N, código postal 70125). Criada em 1987 por Ivan Iusco, como uma espécie de selo fantasma para a sua banda Nightmare Lodge (na verdade, uma dupla, formada por ele e seu parceiro Russolo), lançou no primeiro ano de atividade apenas tapes, mas já em 88 editava discos em vinil. Dois anos depois ingressava no mercado de CDs.
Especializada em música eletrônica experimental (nada a ver, portanto, com a banalidade do que é produzido para a cena clubber), possui, mesmo hoje, um catálogo pequeno, mas de altíssima qualidade, que inclui grupos com altos teores de criatividade, como o Dive (do belga Dirk Ivens, ex-Absolute Body Control, ex-The Klinik, ex-Blok 57), Jouissance, Sigillum S, Blackhouse, Klange, Shock Corridor, entre outros ilustres desconhecidos (no Brasil, onde música inventiva estrangeira e mesmo nacional não tem vez). O melhor da gravadora, no entanto, é a banda do boss Iusco.
Atualmente, há seis discos do Nightmare Lodge em catálogo: dois split LPs e quatro CDs. Os LPs (que eu não conheço, mas consta que foram gravados no início da carreira do NL) são The Oneiric Transgression/Noise and Dream (com Lyke Wake) e Ice Skin/The Gospel According... (com Blackhouse). Os CDs são os da trilogia iniciada em 1994 com Negative Planet, ao qual se seguiram Luminescence e The Enemy Within, mais Syrena, trilha do sci-fi independente italiano do mesmo nome (dirigido por um certo Mariano Equizzi), composta pelo NL e pelo músico Paolo Bigazzi.
Não é exatamente fácil descrever a música do Nightmare Lodge, mas adjetivos como dark, onírica, atmosférica são apropriados. E não há dúvida de que a palavra nightmare (pesadelo), embutida no nome da banda, também o é. Gótico eletrônico talvez seja um bom rótulo, desde que a ele se ajuntem noções de dark ambient experimental, valendo ressalvar que Iusco & Russolo não têm nada contra cordas e arranjos clássicos e que experimental, no caso, não equivale a inacessível. Seja como for, recomenda-se aos mais impressionáveis não apagar as luzes.
A boa notícia é que os discos, mesmo sendo europeus, não custam tão caro quanto os importados da Inglaterra, Alemanha ou Holanda (e isso se deve à cotação da lira em relação ao dólar). Os CDs, por exemplo, custam 24.000 liras cada (ou seja, 15 dólares). A remessa de três discos, por via aérea, fica em 12 dólares (20.000 liras). Portanto, cada CD chega ao Brasil custando algo em torno de R$ 38 (o LP fica por R$ 26, aproximadamente). Não é barato, mas também não é um preço absurdo. (Como a Minus Habens não aceita cartões de crédito , o pagamento deve ser feito com cheque ou em cash neste caso, em envelope registrado juntamente com o pedido.) Para mais informações, sugiro uma visita à página da gravadora na Internet, que pode ser encontrada no condomínio de sites Brainwashed. Digite www.brainwashed.com e clique, pela ordem, em Music, Axis Archive, ESTWeb Index, Related Links, Labels e Minus Habens. O site também traz link da Disturbance, selo subsidiário da Minus Habens, e convida o navegante a visitar a home page da Materiali Sonori, outra excelente gravadora (que possui em seu catálogo gravações feitas por músicos criativos como Fred Frith, Charles Hayward, Percy Howard, Bill Laswell, Richard Barbieri, Harold Budd e a banda Durutti Column).
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