Wilmar Klein
Wilmar Klein
Metal sem complacência
Banda curitibana Imperious Malevolence explora em seu primeiro CD os extremos do death metal
Demétrio Chaves/DivulgaçãoMano, Rafaell, Maia e Antonio: os integrantes do Imperious MalevolenceCorpos mutilados, faces agonizantes, dor, desespero, insanidade. Sangue e trevas. Elementos de um filme de horror? Ou talvez a realidade, o lado escuro da realidade? O julgamento fica a critério do ouvinte, porém, qualquer que seja, permanecem na mente as imagens agressivas colocadas em movimento nas letras da banda curitibana de death metal Imperious Malevolence, que agora cumpre uma agenda de shows destinados a divulgar o seu primeiro álbum (a apresentação mais recente aconteceu ontem à noite, no Auditório do Largo; as próximas serão em Santa Catarina).
Formado no inverno de 1995, o Imperious é um quarteto do qual fazem parte Rafaell (vocal e baixo), Antonio (bateria), Maia e Mano (guitarras). O som é pesadíssimo, atroador (mesmo para os fãs do metal, acostumados a avalanches de decibéis); os vocais, guturais e retumbantes, como o gênero pede. Todo esse peso e agressividade não são, entretanto, gratuitos, pois a banda tem um discurso coerente e alvos precisos. O principal deles: o poder de alienação e manipulação das religiões e seitas. Num país como o nosso, onde a liberdade de expressão religiosa é tão ampla quanto a capacidade de explorar impunemente populações miseráveis e ignorantes, não é um discurso sem propósito.
A banda, no entanto, vai mais longe e, funcionando como uma antena deste fin de siecle, capta com eficiência o caos, a desesperança, a falência dos valores fundados numa imagem artificial do ser humano (que, não obstante o progresso tecnológico que utiliza como parâmetro de sua evolução material, continua a ser a mais cruel e predatória das feras).
Não há, na verdade, grandes motivos para ser otimista em relação à espécie: suas ações contradizem os valores que apregoa e a fé que julga possuir. Existe um lado escuro, tenebroso, uma semente de loucura em todo ser humano, e o Imperious Malevolence, de modo contundente, escancara esse outro lado que a maioria das pessoas se recusa a enxergar ou admitir em si próprias. Sob tal aspecto, o som que Rafaell, Antonio, Maia e Mano fazem se presta a uma catarse (não sem valor terapêutico) que talvez explique por que a banda tem um público tão fiel. Às vezes, é preciso prestar atenção no que diz o pessoal do metal quando tem o que dizer, é claro. É precisamente o caso do Imperious, e o disco está aí para provar a assertiva.
Imperious Malevolence o disco é um produto independente, com toda a garra e a batalha envolvidas para a sua viabilização. O resultado valorizado pela programação visual do booklet, a cargo de Anderson L.A., e as fotos de Demétrio Chaves, que também atua como empresário da banda é, para dizer o mínimo, bem superior à média do gênero no cenário nacional tanto do ponto de vista artístico quanto técnico (as gravações foram realizadas e mixadas na Clínica Studio, um dos estúdios mais competentes de Curitiba). O CD com dez petardos que traduzem, já nos títulos, o imaginário do Imperious (Seeds of Pain, Misery of Existence, Into Dark Ages, A Complete Slavery, para ficar em apenas quatro exemplos) pode ser encontrado nas lojas curitibanas Hard Temple e Temptations ou então solicitado por e-mail ([email protected]) ou pela caixa postal 15316 CEP 80040-990 Curitiba PR.





