Wilmar Klein
Pau no articulista
Durou uma semana a gritaria por causa do meu artigo Pau no Leminski (publicado aqui na Folha, no último dia 13). Adorei: coisas assim fazem a gente se sentir vivo, escrevendo num jornal vivo.
Percentualmente, a coisa ficou mais ou menos assim: uns 45% dos que mandaram e-mails, fax ou telefonaram discordaram radicalmente do meu ponto de vista; 30% concordaram com ele: 20% concordaram com algumas colocações e discordaram de outras. Quanto aos 5% restantes, fiquei sem saber se eram contra, a favor ou muito pelo contrário. Confesso que esperava que a porcentagem dos radicalmente contra fosse bem maior. Talvez alguma coisa esteja mudando, talvez não. -
Seja como for, gostei de receber e-mail até do exterior - mais exatamente de Fortaleza. Brincadeirinha... Manoel Ricardo de Lima, que mora na capital cearense, informa que terminou tese de mestrado sobre a poesia de Leminski, diz que também acha que ele está sendo supervalorizado (por razões extraliterárias), mas critica a minha falta de delicadeza. Diz ainda que no Ceará os grandes fantasmas não atendem pelo nome de Paulo Leminski, e sim de José de Alencar e Rachel de Queiroz. Apesar de tudo, ainda acho que, em matéria de vacas sagradas, o Ceará está melhor servido...
Claro que também gostei dos elogios. Coisas como Coragem e alguém quem saia de cima do muro é o que a cultura (e principalmente a crítica cultural) precisa e adorei a sua ousadia. A porcaria é que eu não sou nem corajoso nem ousado, apenas recuso ser hipócrita por delicadeza.
Quanto ao pau no articulista, era uma reação previsível, sobre ser um direito de quem assim se manifestou. Só não gostei das pretensas lições de moral de alguns, pois isso nada tem a ver com literatura. Também não gostei da opinião de um estudante de jornalismo (só colocou o primeiro nome: Alexandre), autodenominado assessor de imprensa do povo, que , em defesa do Grande Poeta que não pode responder no momento (coisa mais careta !), julgou-se autorizado a deduzir bobagens como: tu deves ser militante do FHC, deves ter votado no PSDB e apoiado a ditadura militar. Ora, o que é que tem a ver a minha opinião sobre o Leminski (e a mediocridade do cenário cultural paranaense) com partidos políticos e ditadura militar? Não seja preconceituoso, guri! Que feio! Largue mão de dizer besteira!
Ah, sim... achei bacana o Jota ter se manifestado em sua coluna. Não concordou com nada do que eu disse (o que é um direito dele), mas o fez dando uma aula sobre poesia concreta e, desse modo, prestando um grande serviço aos leitores. Agradeço também ao Domingos Pellegrini por ter mandado e-mail.
Etc.
(Seria o caso de repetir a frase com a qual encerrei o meu artigo sobre o Leminski? Por via das dúvidas, vai o repique: E, se me entenderam bem, o pau nem é tanto no Leminski...)
ReproduçãoJean Marais está em A Bela e A Fera, de Jean Cocteau: filme será exibido hoje no Telecine 5
Uma história muitas vezes contada
O canal Telecine 5, da Net, reprisa hoje, às 20 horas, A Bela e a Fera (La Belle et la Bête, 1946), de Jean Cocteau (1889-1963), com Jean Marais (na época, namorado do diretor) no papel da Fera e Josette Day no da Bela (podia ser o contrário, mas deixa pra lá...). O filme - um classicão - mantém-se até hoje como a mais poética e estilizada de todas as adaptações cinematográficas do célebre conto de fadas. Um conto que o cinema vem contando há pelo menos 100 anos...
Até onde se tem notícia, a primeira adaptação da história para o écran foi feita na França em 1899, pela Pathé, e utilizava a versão escrita por Gabrielle Suzanne. A primeira transposição americana data de 1903 e foi realizada nos estúdios Lubin. Já em 1905, surge a primeira versão inglesa (com 11 minutos de duração), dirigida por Percy Stow. Vieram depois, ainda no cinema mudo, as versões de 1908 (França, Pathé), 1913 (EUA, Rex/Universal, direção de H.C. Matthews, com Elsie Albert) e 1916 (assinada por H.E.Hancock, esta versão americana misturava A Bela e a Fera com outros contos de fada e trazia à frente do elenco Mineta Tamayo como... a Bela Adormecida!).
Após o advento do cinema sonoro, a história mereceu dezenas de adaptações, dentre as quais merecem destaque as dirigidas por Isadore (Friz) Freleng (EUA, 1934 - um desenho animado de sete minutos, colorido, da série Merrie Melodies, da Warner Bros.), A.Atamanov (Rússia, 1953 - outro desenho animado, este de média metragem, produzido nos estúdios Gorky e exibido nos EUA com título The Scarlet Flower: a Story of Beauty and the Beast), Edward L. Cahn (EUA, 1962 - com Joyce Taylor, o canastrão Mark Damon e Eduard Franz), Lew Christensen (EUA, 1966 - registro de uma montagem do balé A Bela e a Fera, com música de Tchaikovsky, encenada pela San Francisco Ballet Company), Fielder Cook (Inglaterra, 1976 - produzida para a televisão, com George C. Scott, Trish van Devere e Virginia McKenna nos principais papéis), Richard Franklin (1987 - piloto de série da TV americana, com Linda Hamilton e Ron Perlman) e Gary Tronsdale/Kirk Wise (1991 - longa de animação comercialmente bem-sucedido, com produção caprichada dos estúdios Disney). Isso sem falar das muitas variações do conto - entre elas, o clássico King Kong (EUA, 1933), de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack.





