Wilmar Klein
Wilmar Klein
Igual, apenas o nome
Pretensamente baseada no filme homônimo, dirigido em 1983 por Tony Scott (o irmão menos talentoso de Ridley Scott, diretor de Alien, o Oitavo Passageiro, Blade Runner e Thelma & Louise), a série Fome de Viver estréia às 23 horas, hoje, no canal pago HBO. Produzida pelos Scott Brothers e apresentada pelo veterano Terence Stamp ( O Colecionador, Priscilla - A Rainha do Deserto), pouco tem a ver com o longa que lhe empresta o título (o mesmo, diga-se de passagem, acontece com a série Sexta-Feira 13, que o canal USA exibe aos sábados , às 22 horas).
Sem dúvida, a melhor coisa que Tony Scott realizou até hoje, o filme original trazia a sempre charmosa Catherine Deneuve no papel de uma vampira (provavelmente a mais elegante de toda a história do cinema) cujo jovem amante (David Bowie, em impressionante desempenho) começa a envelhecer rapidamente. De quebra, Deneuve vampiriza Susan Sarandon, mantendo com ela, a partir daí, um relacionamento homossexual. Tudo isso com visual estiloso e trilha sonora puxada por Bela Lugosi Is Dead, do Bauhaus.
Não se espere nada disso da série de tevê, menos requintada e mais convencional, que apresenta um novo conto, com diferentes atores, a cada episódio. O de estréia chama-se As Espadas e traz a história de uma bailarina cujo corpo pode ser trespassado por elas sem sofrer dano. Mas, é claro, para manter a tradição desse gênero de filme alguma coisa precisa sair errado... À frente do elenco, Amanda Ryan (de As Novas Aventuras de Robin Hood) e Balthasar Getty (de A Estrada Perdida e Tormenta).
Ironia e sensibilidade
Na época em que militava contra o governo do xá Hammad Reza Pahlavi (deposto em 1979), o futuro cineasta Mohsen Makhmalbaf (de Gabbeh) feriu certa vez um policial, sendo preso por isso. Muitos anos depois, a vítima, agora um ex-policial, bate à porta de Makhmalbaf para pedir-lhe um papel num de seus filmes. O irônico episódio é revisitado em Um Instante de Inocência (Irã/França, 1996), talvez o melhor longa deste diretor. Recém-lançado em fita VHS pelo selo Cult, o filme é uma lição de sensibilidade e prova incontestável do talento de Makhmalbaf. Vale a pena conferir.
Sequências
Juntamente com Pierre Henry, Stockhausen - pioneiros da música concreta e da música eletrônica, respectivamente -, Iannis Xenakis, os minimalistas Terry Riley, Phillip Glass e Steve Reich, Pierre Boulez e uns poucos mais, um dos grandes renovadores da música erudita do século 20 ainda vivos, o italiano Luciano Berio tem agora a integral de suas Sequências lançada em três CDs pela Deutsche Grammophon. Os discos reúnem 13 composições, escritas entre 1958 e 1995, cada uma delas para um instrumento solo. Magnificamente interpretadas pelos integrantes do Ensemble InterContemporain, dirigido por Boulez, são estudos virtuosísticos para instrumentos como flauta (a primeira Sequência), harpa, piano, viola, oboé, trompete, fagote e acordeão, sem esquecer a voz humana (a Sequência 3, de 1965, interpretada pela soprano Luisa Castellani - uma peça de apenas sete minutos, porém dificílima, exigindo da cantora 44 diferentes tipos de entonação).
Berio, não obstante a complexidade de sua música, está longe de ser um compositor frio e hermético - dois adjetivos frequentemente pespegados aos criadores da música erudita de vanguarda -, pois as suas composições (que abrem novos caminhos para a linguagem musical, sem no entanto esquecer a herança da música clássica) têm um caráter profundamente humano e poético que estas Sequências atestam maravilhosamente.
IDeOsphera
Acontece no próximo dia 18, em três espaços da CEU - Casa do Estudante Universitário -, em Curitiba, o evento IDeOshera (para o qual a criação do título foi a minha modesta contribuição). Organizado por Mário César Barbosa Ramos (Marião) (desenhos), Cassiano Pires (pinturas e objetos) e Cláudia Costa (interferências), reunirá diversos jovens artistas à margem das galerias. Garantem eles que a sua proposta é não ter nenhuma proposta e que o evento nem de longe se assemelhará a uma exposição nos moldes convencionais. Depois dou os detalhes ...





